Projeto 26
LEITURA, PRODUÇÃO TEXTUAL E ALFABETIZAÇÃO
EM CONTEXTOS DE DIVERSIDADE
Coordenadores:
Luiz Antonio Gomes Senna (UERJ) - senna@senna.pro.br
Paula Almeida de
Castro (UEPB) - emailsdapaula@gmail.com
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XIX Congreso/Congresso Internacional
ALFAL 2021
8 al 13 de agosto
Remoto
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XIX
Congresso Internacional da ALFAL
Chamada /
Convocatoria
Projeto 26 - Leitura, produção textual e alfabetização
em contextos de diversidade
Proyecto 26 - Lectura, producción textual y
alfabetización en contextos de diversidad
A pesquisa em linguística aplicada ao ensino de LM e
à alfabetização avança no sentido de estreitar diálogos interdisciplinares
com as áreas conexas da educação, visando, sobretudo, à formação de
professores para uma escola cada vez mais comprometida com a inclusão dos
sujeitos em diversidade cultural. O projeto 26 da ALFAL convida professores e
pesquisadores para apresentação de trabalhos e mesas temáticas durante suas
sessões de colegiado no XIX Congresso Internacional da Associação de
Linguística e Filologia da América Latina, a se realizar na cidade de La Paz,
Bolívia, de 10 a 14 de agosto de 2020. As áreas de interesse do projeto envolvem: 1. Abordagens críticas dos processos de
alfabetização 2. Teorias e processos de formação de leitores e
escritores na educação básica 3. Aspectos culturais e etnográficos do letramento e
da alfabetização 4. Letramento e alfabetização na educação do surdo e
do deficiente visual 5. Inclusão social e políticas públicas de
letramento e alfabetização Modalidades de trabalhos (em Português ou Espanhol): Comunicação: estudo consolidado, com perfil teórico ou teórico-aplicado;
apresentação de 20 a 30 min; submissão: resumo expandido com até 1000
palavras, incluindo as principais referências bibliográficas. Mesa temática: sessão reunindo 3 ou 4 trabalhos de no mínimo
duas instituições diferentes, com 1h de duração, que desenvolva um tema comum
de caráter teórico, preferencialmente voltado à formação docente; submissão:
memorial da mesa temática com cerca de 300 palavras, seguido pelos resumos
expandidos de cada trabalho. Registro pedagógico: apresentação e avaliação de experiência didático-metodológica,
programa social escolar, ou projeto público; apresentação de 15 a 20min;
submissão: resumo com até 300 palavras. Como
submeter os trabalhos: a)
mesas
temáticas: enviar diretamente para a coordenação do projeto (senna@senna.pro.br), com o endereço de
contato do professor proponente; b)
demais
trabalhos: submeter através da ferramenta do congresso (http://alfalbolivia.2iesbolivia.com/),
informando que se trata de material específico do Projeto 26. c) Fecha límite hasta el día |
La investigación en lingüística aplicada a la enseñanza
de la LM y la alfabetización sigue a fortalecer diálogos interdisciplinarios
con las áreas conexas de la Educación, visando, en especial, a la formación
de maestros para una escuela cada vez más comprometida con la inclusión
social de los que se encuentran en diversidad cultural. El proyecto 26 de ALFAL los invita, maestros e
investigadores, a presentar trabajos y mesas temáticas durante sus sesiones
de colegiado en el XIX Congreso Internacional de la Asociación de Lingüística
e Filología de América Latina, a realizarse en la ciudad de La Paz de
Bolivia, del 10 al 14 de 2020. Las áreas de interés del proyecto abarcan: 1. Aportes críticos de los procesos de alfabetización 2. Teorías y procesos de formación de lectores e
escritores en la educación primaria 3. Aspectos culturales y etnográficos del letramento y la alfabetización 4. Letramento y
alfabetización en la educación del surdo y del deficiente visual 5. Inclusión social y políticas públicas de letramento y alfabetización Modalidades de trabajos (en Portugués o Español): Ponencia: estudio consolidado, con perfil teórico o teórico-aplicado; presentación
de 20 a 30min; envío: resumen expandido con hasta 1000 palabras, incluyendo
las principales referencias bibliográficas. Mesa temática: sesión reuniendo 3 o 4 trabajos oriundos de no mínimo dos vínculos
distintos, con 1h de duración, que discurra sobre un tema común de carácter
teórico, preferentemente dedicado à la formación de docentes; envío: memorial
de la mesa temática con algo como 300 palabras, seguido por los resúmenes
expandidos de cada trabajo. Registro pedagógico: exposición y evaluación de experiencia didáctico-metodológica, programa
social escolar, o proyecto público; presentación de 15 a 20min; envío:
resumen con hasta 300 palabras. Como enviar los trabajos: a)
mesas temáticas:
enviar directamente para la coordinación del proyecto (senna@senna.pro.br), con dirección completa del profesor proponente; b)
demás trabajos:
enviar desde la herramienta del congreso (http://alfalbolivia.2iesbolivia.com/), informando que se trata de material destinado al Proyecto 26. c) Data limite até |
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2017-2019,
integrando: Programa de Pós-Graduação em Educação (UERJ), Programa de Pós-Graduação
em Formação de Professores (UEPB), Programa de Pós-Graduação em Linguística
(UFPI)
SINOPSE: Projeto interinstitucional dedicado à produção e disseminação
de insumos básicos para a formação inicial e continuada de professores dos anos
iniciais do ensino fundamental (educação primária). Seu objetivo é discutir as
bases interdisciplinares para a definição do campo acadêmico da linguística
aplicada ao letramento e à alfabetização no âmbito de programas de educação e
diversidade social e cultural. A produção derivada consistirá de material
bibliográfico destinado à formação de professores.
Palavras-chave1: linguística aplicada; letramento;
alfabetização; teoria e epistemologia da linguística
Palavras-chave2: representação do conhecimento; desenvolvimento
e modos do pensamento; leitura; produção de textos
Palavras-chave3: desenvolvimento socioafetivo;
subjetividades sociais; mecanismos de inclusão; exclusão, etnografia
Palavras-chave4: formação de professores; teorias da
aprendizagem; sociologia da educação
Os marcos teóricos da linguística aplicada ao letramento e à alfabetização
expandiram-se para além dos domínios mais centrais das ciências da linguagem,
demandando uma perspectiva interdisciplinar e limítrofe entre campos como a
educação, a psicologia e sociologia[1]. Em boa
medida, seu perfil pós-estruturalista[2] deriva
de rupturas ocorridas desde o século passado, seja a partir das teorias do discurso
e suas repercussões sobre as teorias da representação gramatical, seja nos
movimentos ditos construtivistas que revolucionaram os estudos sobre a
alfabetização[3]. O desenho teórico deste campo de estudos passou,
desde então, por processos que acabaram por colocar em cheque a própria noção
de ciência aplicada, dada a especificidade de suas demandas, seus recortes
objetais e, sobretudo, seus recursos para o enfrentamento da dialética entre
abstração e mundo real. A desconstrução da figura estável e modelar contida na
noção de “falante-ouvinte ideal”[4], assim como do dogmatismo subjacente às estruturas e
prescrições normativas que dão corpo aos sistemas alfabéticos, exigiu da
linguística aplicada, ao longo dos últimos vinte anos, a redefinição de suas bases
teóricas e crenças acerca das representações de pessoas e sistemas envolvidos
na comunicação. Paralelamente, os processos de representação e expressão na
sociedade pós-industrial contemporânea redesenharam os conceitos de texto e de
leitura[5], fato que traria profundos questionamentos sobre os
objetivos e os meios de formação de leitores e de produtores de textos, assim
como sobre os sentidos e processos de alfabetização. Mais do que questões
estritamente relacionadas ao ensino de língua materna, a linguística aplicada
ao letramento e à alfabetização encontra-se face a uma
agenda na qual protagoniza um movimento epistemológico próprio, ainda por se
consolidar, no centro do qual se encontram a formação de professores e o
princípio fundamental de respeito às diferenças no ensino[6].
O problema que, a título de síntese, melhor traduz a demanda
epistemológica da linguística aplicada contemporânea é o binômio formado por,
de um lado, a noção de “erro de produção
textual” e, de outro lado, o peso do fracasso escolar. O problema neste
binômio consiste do fato de que a cultura de formação de professores torna-os
capazes de identificar um assim chamado “erro
de produção textual”, porém, não lhes oferece instrumento para compreender
as condições de produção da maioria dos “erros”
que se dão para além das estruturas físicas das frases, nos campos da
morfossintaxe frasal, da seleção lexical na cadeia da transitividade verbal e
na forma ortográfica dos vocábulos. Os custos de organização textual derivados
nas cadeias de coesão semântica, nos elos de coerência e nos demais planos da
organização da informação que realmente pesam nas condições de adequação
textual, são passíveis de ser assinalados pelo professor, porém, não são
passíveis de ser descritos em sua gênese no processo de elaboração do texto. Os
fatores que interferem no processo de elaboração do texto e, consequentemente,
no processo de desenvolvimento dos sujeitos que produzem textos, escapam aos
limites clássicos das teorias linguísticas, à medida que estão sujeitos ao
conjunto de determinantes do desenvolvimento humano com todo. É com base nisto
que se compreende o caráter interdisciplinar e ímpar da linguística aplicada ao
letramento e à alfabetização.
Os programas de pós-graduação foram responsáveis nos últimos vinte anos
pela construção das várias facetas teóricas que auxiliaram na compreensão dos
sujeitos reais das práticas letramento e de alfabetização, dos vínculos entre
as representações de mundo, os processos de comunicação e as dinâmicas
discursivas que dão corpo e vida à produção de textos. Contudo, ainda se
encontra certa dificuldade para associar as várias contribuições aos mesmos
fenômenos, pois que ainda são raras as oportunidades de diálogo entre as áreas
acadêmicas pertencentes aos mais variados ramos do conhecimento[7]. Embora a linguística ocupe uma posição muito central
nos estudos do letramento, a psicologia prepondera no campo da alfabetização,
especialmente na análise das condições de desenvolvimento e na descrição dos
estados geradores de custo. Na educação, para a qual convergem todos os
estudos, há uma tendência ao privilégio das questões sociológicas que culminam
no campo das políticas públicas, das questões filosóficas que abraçam os
sentidos dos processos de ensino escolar e, sobretudo, a questão humanitária da
escolarização, que nos traz a discutir todo o esforço dos alunos sujeitos à
diversidade a fim de se fazerem alunos. Nenhum destes aspectos foge ao
interesse da linguística aplicada ao letramento e à alfabetização, seja nos
cursos de Letras, seja nos da Psicologia ou da
Educação.
Este projeto tem por finalidade promover um fórum para discutir e
definir a natureza da linguística aplicada ao letramento e à alfabetização como
um ramo do conhecimento linguístico com propriedades complexas, numa
perspectiva pós-estruturalista e baseada no princípio da reinterpretação
paradigmática, segundo Kuhn[8]. Seu objetivo consiste na publicação de três obras de
referência multidisciplinar, na forma de um eBook dividido em três volumes, reunindo artigos que
se desenvolvam a partir das discussões sobre o campo do letramento e da
alfabetização, do ponto de vista teórico e aplicado, assim como da formação de
professores e dos sujeitos em diversidade na escola básica. Para assegurar o
caráter interdisciplinar do qual não se pode abrir mão ao tratar de letramento
e alfabetização, o projeto será desenvolvido em regime de cooperação por quatro
grupos de pesquisa consolidados, a saber: o grupo de pesquisa Linguagem,
Cognição Humana e Processos Educacionais (Programa de Pós-Graduação em Educação
– UERJ; líder: Luiz Antonio Gomes Senna); Etnografia,
educação e exclusão (Programa de Pós-Graduação em Educação – UERJ; líder:
Carmen Lucia Guimarães de Mattos); Observatório de Pesquisas e Estudos
Multidisciplinares (Programa de Pós-Graduação em Formação de Professores -
UEPB; líder: Paula Almeida de Castro); grupo de pesquisa Proletras:
interletramentos práticas de leitura e escrita no
cotidiano escolar (Programa de Pós-Graduação em Linguística – UFPI; líder:
Maria Angélica Freire de Carvalho).
Os quatro grupos de pesquisa reúnem um colegiado de aproximadamente
sessenta pesquisadores, doutorandos, mestrandos e outros formandos em pesquisa,
que representam cerca de vinte e cinco instituições de ensino, pesquisa e
extensão, no Brasil e no exterior. No Brasil, o colegiado realiza dois eventos
acadêmicos regulares, a saber: o CONEDU (Congresso Nacional de Educação,
realizado anualmente na região Nordeste do Brasil e teve sua terceira edição no
mês de outubro de 2017); o CEDUCE (Colóquio Internacional Educação Cidadania e
Exclusão, bianual, realizará sua quinta edição no ano de 2017).
Os grupos de pesquisa responsáveis pela execução do projeto têm
interesse em sua extensão às reuniões anuais de ALFAL – Associação de Linguística e Filologia da América Latina,
visando a promover a integração de grupos ou centros de pesquisa situados nos
países latino-americanos de língua espanhola, cujos trabalhos estejam
igualmente centrados na linguística aplicada ao letramento e à alfabetização.
Espera-se identificar parcerias acadêmicas com as quais se torne possível a
realização de estudos e pesquisas comparados que nos proporcionem a chance de
discutir macro-políticas de letramento e
alfabetização para a América Latina, com base em demandas e teorias localmente
definidas.
Operacionalização: O projeto será levado a termo por meio da organização de simpósios
temáticos, estrategicamente orientados conforme os eixos temáticos do campo da
linguística aplicada ao letramento e à alfabetização. Cada simpósio estará
dividido em duas etapas: uma etapa de apresentações e discussões, a ser
realizar durante as reuniões da ALFAL; uma etapa posterior, a se realizar como
atividade da ALFAL vinculada a um dos demais eventos organizados pelos grupos
de pesquisa colegiados no Brasil, destinado à seleção do material derivado da
etapa inicial que irá compor cada um dos volumes do eBook. Na proposição inicial dos simpósios, já
constarão os trabalhos em número mínimo para sua realização durante a reunião
anual. Entretanto, será incentivada a inscrição de outros participantes,
especialmente os oriundos dos demais países da A.L. de fala espanhola.
São previstas três jornadas de execução do projeto nos anos de 2017,
2018 e 2019, ao término de cada qual será produzido um dos volumes do eBook com artigos derivados dos
trabalhos apresentados. Não se pretende transformar os trabalhos do evento em
capítulos, mas elaborar novos artigos a partir dos trabalhos apresentados e das
discussões trazidas em sua apresentação. O processo editorial dos volumes do eBook será levado a termo pelas
equipes dos grupos de pesquisa colegiados e por empresa especializada, tudo
financiado com recursos derivados dos insumos de pesquisa já disponíveis.
Apresentam-se adiante os simpósios propostos para o ano de 2017.
1ª Jornada do Projeto – 1ª Etapa
SIMPÓSIOS TEMÁTICOS PARA A REUNIÃO DE 2017
Simpósio 1
Tensões paradigmáticas – a linguística aplicada e as
fronteiras do conhecimento
Os objetos da
linguística aplicada tomados como fenômenos complexos, históricos e sujeitos às
idiossincrasias individuais. O simpósio explora o esforço teórico subjacente às
pesquisas aplicadas aos campos da linguagem, focalizando, especialmente, a
necessidade de alargamento das suas fronteiras epistemológicas e da
reinterpretação paradigmática, à luz das contribuições pós-estruturalistas de
Kuhn. Tendo por motivação a demanda por fundamentos adequados à formação de
docentes capazes de traçar e implementar políticas de
ensino comprometidas com a inclusão de minorias sócio-culturais,
os trabalhos abordam diferentes aspectos em que a ruptura com os parâmetros
modernos de produção de conhecimento em ciências da linguagem contribuem para
uma melhor absorção de noções como diversidade e singularidade. O diálogo entre
os três trabalhos tem por objetivo suscitar discussões sobre o papel dos
estudos de base na desconstrução do conceito de “normalidade” como um traço
subjacente à figura do aluno em processo de alfabetização, assim contribuindo
para o avanço da noção de “erro produtivo”.
Entre sujeitos abstratos e sujeitos do discurso: a ausência do aluno
real no corpo teórico da formação docente
Luiz Antonio Gomes Senna (Professor Associado, Programa de
Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
O conflito entre
aluno ideal e aluno real na formação do professor que atua como agente de
alfabetização e letramento na educação básica. O percurso epistemológico das
ciências da linguagem, desde suas formulações na era do estruturalismo até
meados dos anos de 1980, até os encaminhamentos pós-estruturalistas,
especialmente, as teorias do discurso e dos sistema auto-regulados. A presença estável do sujeito cartesiano
nas pesquisas estruturalistas e pós-estruturalistas, tanto do ponto de vista
teórico, quanto metodológico. O trabalho tem por finalidade descrever o custo
provocado pelas propriedades cartesianas do discurso teórico das ciências da
linguagem para as pesquisas e demais proposições da linguística aplicada, tendo
por referência a formação do professor agente de letramento e alfabetização em
escolas fortemente caracterizadas pela diversidade cultural. Discute-se ainda a
prevalência do pensamento interdisciplinar no desenvolvimento das hipóteses e
modelos teóricos em linguística aplicada. Os dados apresentados resultam de
estudos concluídos no âmbito de projeto de pesquisa em desenvolvimento.
O professor e sua prática: considerações sobre a formação de professores
pesquisadores
Tatiana Fagundes
Barbosa (Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, doutoranda em
Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
Pesquisa e
formação docente no campo da alfabetização e do letramento em contextos sob condição de diversidade social e cultural. A
invisibilidade do aluno real em face do rigor e do pressuposto universalizante do sujeito escolar subjacente às teorias de
formação docente. A contribuição da etnografia e das teorias sócio-históricas sobre a mente humana para o
desenvolvimento da noção de pesquisa sobre a própria prática. Implicações teórico-metodológicas para a definição de linguística
aplicada ao letramento e à alfabetização. O trabalho tem por objetivo
descrever o percurso teórico da noção de “professor pesquisador”, buscando
definir o espaço do pensamento pós-estruturalista e dos aportes
interdisciplinares para o campo da linguística aplicada ao letramento e à
alfabetização.
Oralidade, visão e letramento: os impactos da diversidade visual de
alunos culturalmente plurais das escolas brasileiras
Viviam Kazue Andó Vianna Secin (Doutora em Educação; Coordenadora do Núcleo de
Pós-Graduação em Ciências da Visão do Centro Universitário Celso Lisboa)
Em consonância
com as diretrizes mundiais em favor do direito à Educação e Saúde Visual para
Todos, que norteiam a aproximação dos diferentes atores envolvidos em estudos
voltados à compreensão dos aspectos multidimensionais inerentes aos processos
de letramento dos diferentes sujeitos de uma sociedade, esse trabalho tem como
objeto a diversidade visual ecologicamente instituída em contextos culturais
híbridos, mais ou menos marcados pela oralidade e pela escrita, tendo por
objetivo sinalizar a importância de se reconhecer a diversidade visual dos
alunos culturalmente plurais pertencentes às escolas brasileiras, como fator de
impacto e custo diferenciados ao processo de alfabetização e letramento. O
sistema visual está diretamente envolvido no processo de leitura, sendo
necessária uma harmoniosa orquestração sensorial e motora binocular para ser
produtiva e prazerosa. A leitura exige não somente visão de qualidade, mas
também um fino controle dos olhos na realização de movimentos rápidos curtos,
de convergência assimétrica dos eixos visuais ao longo da linha de texto, e
longos, ao saltar os olhos às mudanças de linhas. E ainda, exige a sustentação
do olhar por milissegundos, para a identificação das letras, palavras ou grupos
de palavras e para a adequada compreensão do texto. A área de saúde visual Ortóptica se dirige ao estudo da visão binocular em seus
aspectos sensoriais e motores, assim como à intervenção terapêutica em casos de
distúrbios binoculares, dentre os quais, os estrabismos. Fundamentando-se em
pesquisa interdisciplinar que aproximou as áreas de Educação, Ortóptica, Antropologia e da Psicologia, que culminou com a
tese de Doutorado em Educação desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em
Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, sob a orientação do
linguista Prof. Dr. Luiz Antônio Gomes Senna e intitulada “Ortóptica,
Oralidade e Letramento: estudo descritivo e comparativo da visão binocular dos
Guaranis Mbya da Aldeia Sapukai”,
investigou-se a influência da cultura e da experiência visual para o adequado
desenvolvimento de sistemas funcionais binoculares e de controles da
convergência dos olhos necessários ao bom desempenho visual durante a leitura e
em atividades visuais cotidianas. Utilizando a metodologia aberta ao complexo
da pesquisa-ação para investigar aspectos da cultura visual e dos controles
funcionais sensoriais e motores binoculares de dois grupos populacionais
formados por sujeitos indígenas de etnia guarani mbya
habitantes da aldeia Sapukai (Rio de Janeiro), de
cultura predominantemente oral, e por estudantes universitários não indígenas
de cultura predominantemente letrada, de instituições de ensino superior do Rio
de Janeiro, os resultados do estudo evidenciaram a existência de perfis
funcionais binoculares diversos mais convergentes entre os estudantes
universitários e mais divergentes entre os indígenas. Neste caso, justificando
as frequentes queixas de cansaço visual, cefaleia, embaralhamento
visual e dificuldade de leitura relatadas pelos estudantes
indígenas ao transitarem do olhar da floresta para o olhar disciplinado da
cultura escrita. Essas queixas também relatadas por estudantes não
indígenas que vivem em comunidades predominantemente marcadas pela cultura
oral, sejam crianças, jovens ou adultos, revelam o impacto da diversidade
visual no processo de letramento, a ser considerado em termos de políticas
públicas educacionais inclusivas.
Simpósio 2
Docência e formação de professores no campo da
linguística aplicada ao letramento e à alfabetização
Em que pesem os
esforços políticos e acadêmicos, o acesso à cultura escrita ainda não se tornou
universal na América Latina, onde os índices de analfabetismo e analfabetismo
funcional não sofreu redução significativa nas últimas décadas. A população
excluída da cultura escrita está, normalmente, situada à periferia dos
processos culturais hegemônicos e tem na escola o único ou principal espaço em
que as práticas de escrita alfabética se empregam de forma sistemática. Por
este motivo, políticas públicas de letramento e alfabetização que visem a
atingir esta população incidem sempre sobre processos ou regimentações
escolares, tendo, portanto, como principais agentes implementadores os
professores. Os fatores que concorrem para o severo custo de alguns dos
sujeitos escolares em condição de diversidade social e cultural encontram-se,
todavia, fora da escola, fora, portanto, da esfera de controle dos professores,
o que não raramente leva a que se assuma o chamado “fracasso escolar” como algo
interditivo da aprendizagem, peculiar ao aluno e, em
alguns casos, a ser tratado pela área médica. Este simpósio reúne trabalhos que
discutem diferentes aspectos da formação de professores com vistas à superação
do custo de aprendizagem ou do fracasso escolar entre sujeitos em condição de
diversidade cultural, considerando-se a formação inicial na graduação, a
formação continuada em serviço e formação de agentes de letramento e
alfabetização na educação de jovens e adultos.
A disciplina Processos de Alfabetização e seus componentes formativos
Paula Cid Lopes
(Professora Adjunta, Departamento de Estudos Aplicados ao Ensino, Universidade
do Estado do Rio de Janeiro)
Como produto da
pesquisa “Processos de alfabetização, letramento e formação de leitores e
escritores – entre a formação de agentes de letramento e o ideário de educação
para a diversidade”, desenvolvida em contexto da Linha de Pesquisa “Princípios
e Processos de letramento e alfabetização”, este trabalho considera a
disciplina “Processos de Alfabetização” do Curso de Pedagogia/UERJ/Campus
Maracanã, como objeto de estudo. O artigo sistematiza uma das etapas da
pesquisa-ação em andamento, conforme descrita por Senna (2003), como uma
metodologia que, de antemão, tem origem no cotidiano da escola básica e é
projetada por professores e para professores, ampliando-se na formação de
agentes de letramento para este segmento. Toma-se como objetivos para esta
etapa, portanto: a) Identificar componentes curriculares formativos da
disciplina que possam implementar formatos contextuais
de formação de professores para a alfabetização e o letramento em perspectiva
de educação inclusiva; b) Contextualizar a disciplina na área de Linguística
Aplicada à Alfabetização e ao Letramento, conforme está alocada no programa
curricular do curso. Como recorte da pesquisa em andamento, o artigo sinaliza
um resultado parcial, com perspectiva de elaboração de produto para direta
intervenção na prática de formação de professores. Trata-se de revisão dos
componentes formativos da disciplina, nas dimensões teórica e aplicada,
produzida em grupo de trabalho da grande área da Linguagem, tendo em vista o
desenho de um mapa conceitual de formação que privilegie práticas contextuais,
autorais e inclusivas para os processos de alfabetização e letramento de
crianças, jovens e adultos.
O lugar da alfabetização na formação de professores para os anos
iniciais do Ensino Fundamental
Maria Letícia
Cautela de Almeida Machado (Professora Adjunta, Departamento de Estudos
Aplicados ao Ensino, Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
Apesar dos
esforços das redes públicas de ensino para alfabetizar seus alunos, o número
crescente de sujeitos que efetivamente não se apropriam da leitura e da escrita
coloca em questão a efetividade dos processos educacionais de alfabetização que
têm sido utilizados nas escolas brasileiras, bem como a experiência curricular
de formação de tais educadores. Diante disso, esse trabalho tem como objetivo
discutir a especificidade da alfabetização na formação do professor para os
anos iniciais do Ensino Fundamental. Como metodologia, desenvolve-se uma
pesquisa científica de base teórico-conceitual no campo da Linguística aplicada
à Alfabetização e ao Letramento. Os resultados apontam para a especificidade do
processo de alfabetização considerando três aspectos: a desconstrução dos
paradigmas desenvolvimentistas e naturalistas que influenciam os conceitos
subjacentes à aprendizagem da escrita alfabética; o caráter interdisciplinar da
formação do agente alfabetizador; o contexto de letramento necessário às
práticas inclusivas de alfabetização. Conclui-se que o processo de
alfabetização é um processo mental extremamente singular, afetado diretamente
pelo contexto sociocultural dos alunos, de modo que não é possível uma
concepção de universalidade. Ao considerar a multiplicidade de fatores
envolvidos na aprendizagem da língua escrita, evidencia-se a necessidade de a
formação do professor alfabetizador articular conteúdos e campos disciplinares
distintos, de tal modo que o educador compreenda todas as dimensões desse
processo e amplie os referenciais para a construção de suas ações
didático-pedagógicas. A despeito de tais ações, sinaliza-se que, embora se
reconheça que a língua escrita se estrutura na interação, no uso e para o uso –
sempre contextualizado -, entende-se que a alfabetização envolve aprendizados
muito específicos do sistema alfabético e de suas inter-relações com a língua
oral. Desse modo, reconhece-se a indissociabilidade
dos processos de alfabetização e letramento como condição para a socialização e
não mais uma entre tantas formas de exclusão já encontradas na sociedade.
A formação em serviço dos professores do 3º ano da rede pública de
ensino da cidade do rio de janeiro
Fátima Spala (Doutora em Educação; Departamento Geral de Educação,
Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro e Universidade Castelo
Branco)
Apesar dos
esforços Rede de Ensino da SME-Rio, os números vêm
indicando que continuam sendo produzidos indivíduos que passam pelas
instituições de ensino sem constituírem os conhecimentos necessários para a
apropriação da leitura e da escrita. São milhares os alunos que vêm provocando
e mobilizando os profissionais de educação desta Rede de Ensino que, mesmo sem
se darem conta de que o fracasso escolar é basicamente resultado de um projeto
social excludente, enfrentam diária e corajosamente as demandas que impedem que
as crianças aprendam. De qualquer forma, independentemente do ponto de vista
assumido para explicar o fenômeno complexo que constitui o fracasso na
apropriação da leitura e da escrita, os professores representam a linha de
frente de qualquer mudança pedagógica que se pretenda na escola. Diante desse
contexto se coloca a importância de realizar um projeto de formação continuada centrado nos saberes dos professores e
comprometido com o percurso escolar dos cariocas. A proposta de formação em
serviço estabelecida a partir de uma perspectiva formativa, defendida pelo
conjunto desta pesquisa visa investigar os princípios e processos de
apropriação da língua escrita e produzir conhecimentos que sirvam à
aprendizagem e ao ensino dos alunos e professores da rede pública de ensino da
Cidade do Rio de Janeiro. Conceber a formação dos professores como um processo
contínuo, responsável por conferir ao professor autoridade para lidar com essa
temporalidade do desenvolvimento humano, com suas especificidades e exigências,
vem nos permitindo reconhecer os custos do caráter aligeirado e descontínuo dos
modelos de formação que desconsideram abruptamente o desenvolvimento. Esta
compreensão vem exigindo um projeto de formação em serviço que redefina a
atividade do professor possibilitando-o estabelecer uma relação diferente com o
conhecimento, em substituição a uma concepção mais tradicional e tecnicista,
relação que priorize o papel das interações entre os sujeitos na constituição
do conhecimento. Outra questão que merece ser colocada em destaque é a dimensão
que a relação teoria e prática assume no projeto em
questão. Para alguém se tornar um bom professor não basta apenas o domínio de
conteúdos específicos, técnicas e métodos pedagógicos, conquistas de uma boa
formação acadêmica. Da mesma forma, também não é suficiente apenas o
conhecimento adquirido na prática para garantir uma formação docente
consistente. Redimensionar a relação teoria e prática nas ações de formação dos
professores tem representado atribuir à teoria o lugar das possibilidades, sem
com isso, supor que ela seja capaz de prever as situações e encaminhar soluções
para o cotidiano da sala de aula ou mesmo que seja tratada como produção de
exclusividade acadêmica. No contexto deste trabalho, a
relação teoria e prática fundamenta os princípios e processos de
alfabetização e amplia as possibilidades de ações dos professores junto aos
seus alunos.
Relações entre a formação docente como agente de letramento e a formação
de leitores em eja
Rosely de
Oliveira Macário (Secretaria de Estado de Educação da Paraíba, Doutoranda em
Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
A EJA atende uma
demanda social composta por jovens e adultos. Para problematizar a situação do
aluno em situação de fracasso escolar, debruço-me em estudos reflexivos suscitados
na área da linguística aplicada ao ensino, a pensar na formação docente nos
diferentes níveis de ensino, como agente de letramento e também considerando
minhas experiências na docência na condição de professora alfabetizadora nesta
etapa de ensino. Este trabalho objetiva trazer em pauta diferentes vozes que
permeiam no campo da teoria do letramento a dialogar com as demandas da EJA
frente às dificuldades do aluno em permanecer na escola e aprender a ler e
tornar um leitor. Para tanto, torna-se necessário uma abordagem metodológica
que sinalize para a valorização dos saberes dos alunos e que tal sinalização
permita o avanço nas questões epistemológicas da prática escolar, cuja
percepção docente possibilite problematizar o processo de formação de leitores,
e considerar a relação entre os conteúdos escolares e o uso de gêneros
discursivos nas práticas culturais, confrontando-os ao desenho curricular
predominante na escola. Para tanto, torna-se necessária à realização de uma
pesquisa de cunho bibliográfico, atreladas ao campo do letramento, a assumir a
formação do leitor considerando mídias, suportes e os diferentes contextos
culturais, existentes na cultura marcadamente de cultura letrada. Tais estudos
partem no que diz respeito, à discussão pelos caminhos da educação, a partir da
diversidade a pensar um fazer educativo como fruto da formação docente que se
configura significativamente em práticas escolares na perspectiva da inclusão
social.
Simpósio 3
Diversidade e custo de acesso à escrita
O processo de
construção da escrita alfabética constitui um grande desafio para a educação
pública, especialmente entre sujeitos sociais que se encontram em condição de
diversidade social e cultural. Nas ex-colônias portuguesas, dentre as quais o
Brasil e Moçambique, encontram-se diferentes realidades linguísticas quanto ao
uso coloquial da língua portuguesa. Seja na forma do chamado “português do
Brasil”, seja na diversidade de línguas maternas locais faladas em Moçambique,
as ex-colônias portuguesas desenvolveram suas próprias formas de resistência à
imposição do Português pela coroa portuguesa. As práticas escolares de
alfabetização em tais países confrontam-se com alunos cuja realidade extra-escolar opera outras
realidades linguísticas, outros modos de representação de mundo, em face dos
quais a língua escrita – o idioma oficial – não tem força. Este simpósio reúne
trabalhos que discutem realidades escolares de alfabetização que enfrentam,
direta ou indiretamente, os custos provocados por línguas e representações de
mundo em contato. Os estudos apresentados situam contextos de ensino
localizados na região metropolitana do Rio de Janeiro e em diferentes regiões
de Moçambique.
Os sujeitos da diversidade e o acesso à língua escrita
Dina Maria V.
Pinho (Professora do Colégio Federal Brigadeiro Newton Braga e doutoranda em
Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
Ezer W. Gomes Lima (Professor
Assistente do Instituto de Educação Física e Desporto da Universidade Federal
do Vale de São Francisco e doutorando em Educação pela Universidade do Estado
do Rio de Janeiro)
O ponto de
partida para justificar a necessidade deste estudo se baseia no fato de a
educação estar totalmente imersa em diferentes vivências no espaço escolar,
sobretudo nos inúmeros aspectos relacionados à representação da escrita. O
enfoque adotado nesta pesquisa é, então, de ordem teórico-conceitual, por
centrar-se na (re)construção
de conceitos, ideias e ideologias necessários ao aprimoramento dos fundamentos
teóricos já desenvolvidos sobre a temática. Posto isso, o sujeito da diferença
é compreendido, aqui, como sendo fruto do caldeamento de distintas etnias e
suas culturas, e que traz em si um modo peculiar de ler e representar o mundo.
Trata-se do sujeito da interculturalidade, que, por
sua vez, não se alinha ao perfil cultural propugnado pela cultura científica.
Em contrapartida, o acesso e, consequentemente, o domínio da língua escrita
como único padrão digno de aceitação e apreciação tem sido um discurso
historicamente conservado e disseminado não apenas nas escolas, mas,
principalmente, nos meios de comunicação - através de programas de televisão,
Internet e colunas de jornais e revistas - onde gramáticos tradicionais ensinam
a escrever corretamente o português, omitindo, nesse discurso, o distanciamento
entre o que se padronizou como culto e a prática cotidiana da maioria dos
falantes. Isso torna visível um conflito histórico entre os interesses da
classe dominante - materializados na adoção de um padrão linguístico normativo,
baseado no português europeu moderno - e a efetiva cultura nacional. De acordo
com Senna (2007), a escrita encerra em si a própria natureza do modo de pensar
do sujeito moderno, cabendo nela somente um tipo de sujeito: o cartesiano.
Outra questão vista pelo autor se refere às estratégias de inclusão escolar e
procedimentos de escrita. Para ele, a língua escrita, além de atuar como
ferramenta para a cultura científica, opera como um poderoso instrumento de
exclusão social, dividindo severamente aqueles que são benvindos e, portanto,
reconhecidos como cidadãos da modernidade, daqueles que permaneceram sob as
regras medievais, não dirigidos pelas revoluções científicas, mas ainda
formados a partir de padrões tradicionais de oralidade. Não se deve esquecer,
portanto, que a língua materna é aprendida de forma natural, sem a necessidade
de ensino formalmente organizado, ao contrário da escrita, que é um sistema
artificial, criado dentro de certa cultura, para suprir a necessidade de
determinado grupo e que, de maneira geral, sua aquisição demanda ensino
intencional. Sendo assim, quem é o sujeito que se apropria desta tecnologia sem
apresentar custos? Ele é o típico sujeito da modernidade, individualista e
racional, portador de identidade fixa e imutável. O sujeito da escrita alfabética
é o indivíduo forjado na Modernidade, pela cultura científica; um homem ideal,
universal – o sujeito da razão: o cartesiano. Nesse caso, aspectos como noção
de cientificidade, evolução e homogeneidade, refletem a ideia de normalidade e
civilidade constante na base institucional da cultura escolar. Assim,
considera-se que a institucionalização da educação, que tem como parâmetro o
modelo civilizatório burguês europeu, mantendo-se inalterada, colabora para um
custo negativo aos processos educacionais, contribuindo, portanto, para a
disseminação da cultura do fracasso escolar.
Diversidade e custo de acesso à escrita alfabética: contribuições da
educação infantil ao letramento
MAÍRA DE
OLIVEIRA FREITAS (Professora Assistente do Instituto de Aplicação Fernando
Rodrigues da Silveira da Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
A
discussão proposta neste trabalho tem origem nos estudos realizados pelo Grupo
de Pesquisa Linguagem, Cognição Humana e Processos Educacionais, que investe
seus esforços na produção de investigações sobre os aspectos da linguagem e os
modos de representação do conhecimento com fins de repercussão no cotidiano das
práticas escolares. O ensino da leitura e da escrita constitui-se umas das
fundamentais atribuições da escola, já que se configurou como relevante
instrumento para que os alunos exerçam os seus direitos universais de acesso à
escrita alfabética e à cultura letrada. No entanto, já é bem sabido por toda
comunidade, seja acadêmica ou não, que a experiência brasileira de educação
escolar, ainda colhe enormes fracassos no que concerne a Alfabetização. Muitas
são as hipóteses e discussões na academia a respeito do comportamento manifesto
pelo aluno em situação de diversidade no processo de letramento, sejam elas étnicas, culturais ou sociais. No entanto,
pouco se discute as diversidades no modo com o sujeito aprende, ou seja, pouco
se fala em diversidade de aprendizado. Portanto, no referido trabalho, buscamos
traçar o perfil do sujeito cognoscente subjacente ao
processo de alfabetização e seus aspectos individuais de aprendizagem no que
dizem respeito à elaboração de conceitos científicos. Por fim, compreendendo a
docência como um espaço de produção do conhecimento, focamos
o estudo em um segmento específicos da Educação Básica: a Educação Infantil. A
partir da discussão da seleção de práticas pedagógicas mediadoras de
aprendizagens, buscamos alternativas inclusivas que favoreçam as subjetividades
do contexto educacional diverso.
Diversidade e custo de acesso à escrita
Marcelino
Horácio Velasco (mestrando em Educação pela Universidade do Estado do Rio de
Janeiro – PEC-PG Moçambique)
A arte da
escrita é uma tarefa bastante difícil por natureza, e mais difícil ainda quando
as politicas de ensino não refletem a realidade do cidadão. O presente trabalho
tem como objetivo analisar alternativas de adequação das politicas de educação
básica em Moçambique, destinadas a minimizar o custo de alfabetização do ensino
fundamental, porque os alunos deste ciclo enfrentam serio problemas
para se adaptarem a escrita. É uma pesquisa Bibliográfica na qual
cruzarei vários documentos oficiais, e da experiência como professor.
Moçambique foi uma das colônias portuguesa em África que tinha primeiro a
língua portuguesa (doravante LP) como instrumento de comunicação,
estratificação e de domínio da sociedade moçambicana, aqueles que não tinham
proficiência eram excluídos na vida. Segundo, durante a luta armada de
libertação nacional, esta foi usada como instrumento de unidade e de luta para
juntar as várias etnias e línguas existentes no país, porque havia sinais
claros de desunião por causa do regionalismo causado pelas culturas. Terceiro,
no pôs-independência a LP é usada como língua oficial do país e também como
instrumento de ensino, unidade, e identidade nacional, para acabar com o
tribalismo. É nesta diversidade linguística concretamente na educação, que o
custo de acesso à escrita se manifesta e mostra-se um serio problema de
progressão dos alunos do ensino básico durante a alfabetização, porque durante
este ciclo o aluno tem que ser capaz de ler e escrever com o mínimo de
proficiência, algo que não acontece. São causas: 1º a diversidade etnolinguístico que caracteriza Moçambique, constituído por
muitas línguas não veiculares em todo país e pela falta de gramática, ligado a
isso também tem a questão da tradição oral das línguas Bantu,
que caracteriza o uso destas nos (Contos Fabula, os Adágios populares, as
Cantigas de amor e Instrução informal) feitos de forma não sistematizados, 2º
pouca oportunidade de acesso à pré-escola e a escola primaria base de estudo e
adaptação das 1ª letras e consolidação das primeiras habilidades de leitura e
escrita em LP, (ligado à causa, esta o feito de haver pais /avôs iletrados
mesmo que sejam falantes do português por não serem instruídos não ajudam os
filhos/netos a desenvolver habilidades de leitura e escrita na LP. Conclui-se
que, há que melhorar o acesso de ensino neste ciclo, há que pensar na
reintrodução do ensino pré-primário já a maior parte das crianças são pobres e
sem recursos para frequentar uma creche ou escolinha, porque este ciclo é
assegurado por privados, urge a necessidade de adequar as
políticas publicas de educação para melhorar as metodologias de ensino
do português, incluindo o ensino da escrita porque a "escola ensina
escrever sem ensinar o que é escrever" (CAGLIARI, 2009, P. 83). Há que
priorizar o currículo local, que priorize a experiência cultural da criança,
para formar grandes alunos e não a procura de aluno padrão.
Simpósio 4
Diversidade cultural e custos de produção de textos
escritos
Mesmo após
dominarem o código da escrita alfabética, os sujeitos escolares da educação
básica costumam apresentar custos de produção de textos escritos, não raro
persistentes até os anos finais, no ensino médio. Excetuando-se os aspectos sócio-econômicos, os
custos de produção de textos têm um importante papel nos episódios de fracasso
e evasão escolar, especialmente no ensino médio. Este simpósio reúne trabalhos
que discutem diferentes abordagens da questão da produção de textos nos dois
segmentos do ensino fundamental e no ensino médio, neste caso, considerando-se
um grupo de alunos do curso técnico de formação de professores primários (curso
normal). O objetivo do simpósio é provocar discussões sobre as variáveis que
interferem na qualidade do texto produzido por sujeitos em condição de
diversidade social e cultural, a partir da análise de experiências
desenvolvidas em contextos reais de ensino.
O empoderamento
da escrita na escola: cenas de uma aula de produção de texto
Janaina Moreira
Pacheco de Souza (Professora do Colégio Federal Brigadeiro Newton Braga e
doutoranda em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
A temática presente nesse artigo resulta de reflexões do Grupo
de Pesquisa Linguagem, Cognição Humana e Processos Educacionais, as quais tem
como um dos objetivos propiciar discussões acerca da relação que se estabelece
entre os processos de aprendizagem da escrita na escola, a postura pedagógica
do professor enquanto interventor desse processo e o conhecimento significativo
a ser atribuído ao aluno real. Para tanto, optei por trazer dados empíricos de
minha prática como professora de Língua Portuguesa, com alunos do 2º ano do
Ensino Médio em uma escola pública federal do Rio de Janeiro, inseridos em um projeto piloto intitulado “Tirando Dúvidas e
Sanando Dívidas”. A motivação para esse diálogo surge da necessidade de
entender o motivo da apreensão que esses alunos demonstram no momento da
escrita, durante as aulas de redação. Observa-se que, num momento anterior ao
processo avaliativo, em que se faz um debate temático, eles protagonizam suas
falas, porém, quando têm que transpor para o papel, o distanciamento autoral
apresentado em seus textos fica evidente. Para entender um pouco desse
contexto, foi pedido a eles que produzissem textos que abordassem a vivência da
escrita na escola. Os tópicos apontados nessas produções giraram em torno de
uma prática pedagógica, particularmente vivenciada no ensino fundamental II e
médio, que promove a prática da “escrita modelo”, como algo pragmático e
tecnicista, dando ênfase às correções ortográficas, em detrimento dos
benefícios da possibilidade do escrever. Paralelamente a essa questão, aparecem
depoimentos que indicam ser o “medo” o fator inibidor no momento da produção
textual, sendo ele marcado na fala dos alunos por termos sinônimos como “tenho
dificuldade”, “não consigo colocar no papel o que penso” ou “é muito difícil”.
Pensar sobre essas justificativas é ter em mente que a responsabilização sobre
o processo de escrever pode ser algo criticável. Em primeiro lugar porque ela
pode provocar a morte da criatividade e da motivação dos alunos no momento da
produção, o que acaba gerando um distanciamento entre o texto e o autor. Em
segundo, porque cria uma marca negativa sobre o ato de escrever, propagando a
ideia de que isso não é uma tarefa para todos, haja vista que envolve critérios
de superioridade, os quais não alcançam a realidade de muitos sujeitos aprendentes. A memória afetiva do prazer em produzir textos
na infância foi uma situação recorrente nas falas dos alunos, o que sugere que
há um paradoxo entre a representação da escrita nesta fase e o custo dela nos
dias atuais. Com o intuito de subsidiar algumas dessas questões, resta-nos a
reflexão sobre a necessidade de haver um ajustamento no ensino que rompa
paradigmas e que não supervalorize a técnica em detrimento ao pensamento,
desmerecendo o papel da produção individual. Ao professor, fica o desafio de
repensar uma prática em sala de aula que contemple a diversidade de seus alunos
e valorize a escrita como possibilidade de expressão de maneira autoral.
A diversidade de sujeitos cognoscentes e os custos de produção de textos escritos nos
cursos de formação de professores: estratégias didático-pedagógicas para
formação do agente de letramento
Irina
Ribeiro Querette (Secretaria de Estado de Educação do
Rio de Janeiro e mestranda em educação pela Universidade do Estado do Rio de
Janeiro)
O
presente trabalho pretende discutir a questão do letramento e da apropriação da
língua escrita pelos alunos dos cursos de formação de professores em nível de
ensino médio e os reflexos disso na prática pedagógica desses futuros
professores quando, de fato, iniciam sua atuação no magistério. Essa discussão
se justifica em função da diversidade de sujeitos cognitivos que frequentam as
escolas brasileiras no papel de alunos e a relação que se estabelece entre tal
diversidade e os custos relativos à produção de textos escritos, com especial
enfoque nos alunos dos cursos de formação de professores, entendendo como um
agravante da situação o fato de que a formação para o magistério desses alunos
acontece concomitantemente à sua formação escolar básica. Esse trabalho se
alinha ao grupo de pesquisa Linguagem, Cognição Humana e Processos
Educacionais, pois procura discutir formas de se trabalhar a questão da
produção textual e da diversidade de sujeitos cognitivos nas instituições
educacionais, com relevo especial para os professores em formação. Para que
seja possível cumprir tal tarefa, analisaremos a questão relativa ao
desenvolvimento cognitivo de alunos que são sujeitos historicamente excluídos
da cultura escrita, portanto sujeitos que historicamente estão à margem dos
processos sociais mediados pela língua escrita em sua modalidade padrão;
abordaremos a questão da interdisciplinaridade no desenvolvimento dos processos
cognitivos e as estratégias cognitivas utilizadas no processo de leitura e
escrita; e discutiremos o conceito de texto bem formado na contemporaneidade.
Por fim, discutiremos estratégias didático-pedagógicas que deem conta de
promover o desenvolvimento cognitivo necessário à produção e leitura de textos,
problematizando o papel da escola no processo de ensino e aprendizagem da
língua escrita em sua modalidade padrão; e exemplificaremos com uma proposta de
trabalho que visa à produção de conhecimento coletiva e dialógica, com base no
desenvolvimento de estruturas cognitivas e linguísticas direcionadas para o
processo de argumentação como produto das diversas leituras de mundo e da
realidade, de forma que seja possível o desenvolvimento do pensamento abstrato
e generativo. Para dar conta de tal tarefa, tomaremos como referencial teórico
a teoria de Jerome S. Bruner sobre os modos do
pensamento humano e a teoria de Luiz Antonio Gomes
Senna, da de Bruner derivada, acerca da forma como os
modos do pensamento humano são condição para a sustentação do desenvolvimento
cognitivo que possibilita aos sujeitos seu trânsito na cultura escrita.
Procuraremos, por meio dos conceitos derivados do paradigma da pós-modernidade
e sua aplicação à educação escolar proposta por Doll
Jr., dar conta de pensar a escola como lugar de produção de conhecimento. O
problema da definição do bom ou do mau texto na contemporaneidade será abordado
sob a luz da análise do discurso e da problematização das questões dos gêneros
textuais. Ao final do trabalho, espera-se que tenhamos conseguido debater as
condições do processo de ensino aprendizagem na formação do futuro professor
agente de letramento e, principalmente, a relação que existe entre diversidade
de sujeitos que convivem na sociedade brasileira e os processos de formação de
escritores.
Ensino de língua portuguesa - uma proposta
pela produção textual
Loide Leite
Aragão Pinto (Mestranda em educação pela Universidade do Estado do Rio de
Janeiro)
Este
trabalho tem como objetivo apresentar uma metodologia de ensino de língua
portuguesa a partir das práticas de produção do texto, dentro da perspectiva do
aprender a escrever, escrevendo (Possenti, 1996) e
principalmente numa visão que não culpe o aluno por seu fracasso e ignore sua
variante linguística em detrimento norma-padrão culta (SOARES, 2000). Iremos
relatar a experiência de trabalho desenvolvida com os alunos do segundo
segmento do ensino fundamental do Instituto Politécnico da UFRJ em Cabo Frio,
projeto de educação politécnica desenvolvida durante os anos de 2008 e 2016,
fechando o ano letivo de 2015, pelo grupo Interdisciplinar UFRJmar, cuja proposta pedagógica envolvida com as
práticas de produção de texto e leitura, tinha trabalho como princípio
educativo (Vigotsky 2008, 2010; Leontiev
2009, 2010). Apresentaremos aqui os desafios vivenciados pelos professores de
Língua Portuguesa do Instituto ao longo destes anos na busca por uma
aprendizagem significativa de língua portuguesa, que buscava promover junto com
o educando momentos de reflexão e análise de seu material escrito, interligado
a um processo de avaliação contínua. Ao longo desses anos nos foi possível
analisar a eficácia da proposta na produção escrita autônoma dos alunos (Aragão
e Loyola 2011), utilizando o gênero relatório como referência de produção
escrita, cujo modelo mais próximo do modo científico do pensamento (Senna, 2003)
seria um desafio para muitos alunos cuja base de formação seria
majoritariamente no modo de pensamento narrativo. Era a partir dos textos dos
alunos que discutimos a questão do sentido da mensagem e de adequação da
linguagem para os diferentes gêneros textuais (Marcuschi
e Dionísio, 2007), partindo do entendimento de que o texto é um lugar de “inter-ação” entre sujeito sócias e
carregado de sentido (Koch, 2003 e 2011) e tomando o texto como um evento
comunicativo . No ano de 2014 fizemos nosso primeiro relatório de pesquisa
sobre a prática de ensino, cujos resultados e questões nos encaminharam para o
desenvolvimento do projeto de pesquisa Relações entre a produção de texto e o
ensino de gramática um olhar para a prática em sala de aula em desenvolvido no
grupo de pesquisa da Educação Inclusiva e Processos Educacionais do curso de
mestrado em Educação da UERJ. O referido projeto de pesquisa tem como objetivo
analisar e caracterizar quais propriedades esta proposta pedagógica de ensino
apresentou que contribuiu para a promoção do bom desenvolvimento da escrita dos
alunos, dentro de uma proposta de ensino de Língua Portuguesa a partir da
produção textual dos mesmos. Desse modo buscaremos entender como as diferentes
estratégias aplicadas nesse momento de orientação contribuíram para o
desenvolvimento do aluno com o texto para a aprendizagem da Língua Portuguesa a
partir da prática discursiva. Ao longo deste trabalho descreveremos a
metodologia de ensino, seus pressupostos, os resultados obtidos, bem como as conclusões
preliminares da pesquisa.
Simpósio 5
Conhecimento, sujeitos e cultura: vozes sobre a escola a partir da etnografia
A relação dos
sujeitos da escola com o conhecimento e a cultura constitui o objeto do
presente painel. Tal relação será pautada pelos conceitos de migração, cultura,
conhecimento e tecnologia diante do processo de ensino-aprendizagem. Propõe-se,
então, como objetivo geral: estudar e investigar, qual o papel da escola diante
do conhecimento e da cultura, a partir das vozes dos seus próprios sujeitos.
Refletir sobre a diversidade das práticas cotidianas de sala de aula pelo olhar
da etnografia e das vozes dos sujeitos possibilita configurar novas dimensões
para a educação pública por contribuir, sobremaneira, para o enfretamento do
fracasso escolar. É entendido que o binômio ensinar-aprender está imbricado nas
relações propostas no campo da Educação. Tais dimensões se coadunam compondo,
também, as questões do próprio campo educacional. Assim, o processo de ensino-aprendizagem
está na pauta da escola como uma de suas principais funções
mediado pela dimensão cultural. O que se propõe neste painel é uma
discussão crítico-reflexiva sobre os saberes e fazeres percebidos a partir dos
sentidos atribuídos pelos sujeitos da educação à ação pedagógica tomando a
etnografia como abordagem teórica-metodológica
possível de fazer emergir as vozes silenciadas presentes no contexto escolar.
Conhecimento, sujeitos e cultura: vozes sobre a escola a partir da etnografia
Luís Paulo Cruz
Borges (Professor Assistente do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da
Silveira – CAP/UERJ e doutorando em educação pela UERJ)
Paula Almeida de
Castro (Professora Adjunta do Programa de Pós-Graduação em Formação de
Professores da UEPB)
Igor Federici Trombini (Mestrando em Educação pela UERJ)
A relação dos
sujeitos da escola com o conhecimento e a cultura constitui o objeto da
presente pesquisa. Tal relação será pautada pelo binômio
cultura-conhecimento diante do processo de ensino-aprendizagem.
Propõe-se, então, como objetivo geral: estudar e investigar, qual o papel da
escola diante do conhecimento e da cultura, a partir das vozes dos seus
próprios sujeitos. Refletir sobre a diversidade das práticas cotidianas de sala
de aula pelo olhar da etnografia e das vozes dos sujeitos possibilita
configurar novas dimensões para a educação pública por contribuir,
sobremaneira, para o enfretamento do fracasso escolar. Por usos da observação
participante, do diário de campo, de entrevistas etnográficas e de produção
textual buscou-se compreender holisticamente como ocorre a
relação entre sujeitos e conhecimento na escola pública mediada pela dimensão
cultural. Por fim, o que se propõe, neste painel, é uma discussão
crítico-reflexiva sobre os saberes e fazeres percebidos a partir dos sentidos
atribuídos pelos sujeitos da educação à ação pedagógica tomando a etnografia
como abordagem teórica-metodológica possível de fazer
emergir as vozes silenciadas presentes no contexto escolar.
Tecnologias na educação básica: um estudo de abordagem etnográfica
Juliana Linhares
de Oliveira (Mestranda em educação pela UERJ)
Carmen Lucia
Guimarães de Mattos (Professora Associada do Programa de Pós-Graduação em
Educação da UERJ)
A presente
pesquisa tem como objeto de estudo as tecnologias digitais na escola de
educação pública brasileira. Busca-se compreender como tecnologias digitais têm
sido utilizadas no espaço escolar mediante o contexto cultural digital que
permeia a sociedade. Também, deseja-se investigar como acontece os processos de
implementação e uso das tecnologias digital na escola
pública, sob a perspectiva dos atores da pesquisa e de estudos acadêmicos que
discutam as questões da exclusão digital. A abordagem etnográfica sobre o uso
das tecnologias digitais com base na realidade de alunas e alunos de uma escola
pública por meio uso de recursos de áudio e imagens de vídeo, da observação
participante e de grupo focal. Como referencial teórico opera-se com a ideia de
exclusão como metacategoria nos estudos sobre tecnologia
digital pautando-se em Mattos e a partir da abordagem de tecnologias como
produtos de uma sociedade e de uma cultura em Pierre Levy.
Migração e educação em escolas do rio de janeiro: um estudo de abordagem
etnográfica
Antonia Valbenia Aurélio Rosa (Doutoranda em educação pela UERJ)
Carmen Lúcia
Guimarães de Mattos (Professora Associada do Programa de Pós-Graduação em
Educação da UERJ)
Este artigo tem
como objeto de estudo a relação entre a migração e a educação. Sua discussão
central está em compreender a migração como uma das faces dos processos sociais
cujo foco é a educação do aluno pobre e seu processo de escolarização,
especificamente, do alunado nordestino presente em escolas públicas na cidade
do Rio de Janeiro. A abordagem teórico-metodológica é
a etnografia com usos da observação participante, análises indutivas,
entrevistas etnográficas e descrição do campo. Os autores que contribuíram para
a fundamentação teórica e epistemológica do estudo são Castel
(2005; 2008; 2010) Paugam (2003, 2004), Bourdieu e Champagne (2001), Dubet (2001; 2003; 2004). Neste sentido, produzir um estudo
sobre a relação entre a migração e a educação contribui para analisar a
escolarização do aluno que vive em situação socioeconômica desfavorecida.
Simpósio 6
Gêneros textuais-discursivos:
formas para agir sobre o mundo e dizê-lo em atividades sócio-discursivas
Compreendidos
como eventos linguísticos e formas de ação social, os gêneros vinculam-se às
práticas linguageiras como meio de organizá-las e de
procurar estabilizá-las. Integrado a tais práticas, eles acabam por atender às
mudanças vinculadas à vida sociocultural, manifestas com e na linguagem; com
isso, ganham-se reinscritos ou novos eventos comunicativos, os quais surgem de
acordo com as necessidades interativas. Dada essa integração e mudança, pode-se
afirmar que os gêneros são maleáveis, tendo sua estabilidade relativizada nos
contextos sociointerativos. A partir desse
pressuposto, esse simpósio busca refletir sobre os gêneros a partir de seus
usos e condicionamentos sociopragmáticos, observando
suas funções comunicativas. Para contemplar o estudo em aspectos mais
abrangentes, em se tratando da temática, a proposta prevê uma abordagem sobre a
variedade de gêneros e a observância em suas peculiaridades linguísticas e
organizacionais, suas propriedades textuais e discursivas. Os trabalhos que se
associam ao simpósio discutem o tema intencionando apontar caminhos para uma
prática pedagógica à luz das reflexões suscitadas.
Ativação da memória contextual na produção e intelecção de gêneros no
contexto escolar
Raíssa Martins Brito (Graduanda em
Letras pela UFPI)
O texto é uma
unidade resultante de operações cognitivas em situações comunicativas diversas,
sua construção se efetiva no balanceamento de conteúdos que estão implícitos e
explícitos, fruto de negociações, no processamento leitor, o qual é auxiliado
por conhecimentos arquivados na memória, que servem como mecanismos importantes
para a produção de inferências e de hipóteses que o sujeito elabora e reelabora
no processamento textual do sentido. Sob uma relação interativa e de cooperação
mútua entre fatores cognitivos, situacionais, contextuais no processamento de
intelecção de textos é necessário contemplar, na escola, uma diversidade de
gêneros, capazes de auxiliar no bom desempenho em atividades de compreensão
leitora. Desse modo, esse trabalho tem como objetivo: (i) reconhecer como as
estruturas cognitivas acionadas, no momento da leitura, podem auxiliar na
compreensão de um gênero; (ii)
apresentar a reconstituição de conteúdo do texto a partir de três níveis de
representação: a microestrutura, macroestrutura e superestrutura textual,
verificando como esse conhecimento opera no domínio do gênero, projetando sua
produção e intelecção. Metodologicamente, o trabalho consiste em uma pesquisa
bibliográfica, de cunho qualitativo, baseada em autores como: Bakthin (2011), Bazerman (2011), Dolz e Schneuwly (2004), Koch
(2000; 2006; 2013), Kleiman (1983, 2004), Marcuschi (2012), Van Dijk (2013)
entre outros. As considerações assinaladas, no estudo, intencionam, dentre
outros apontamentos, entender como a apreensão dos conhecimentos relacionados
aos gêneros: conteúdo temático, organização composicional e estilo são
importantes para suprir necessidades comunicativas diárias.
Componentes
situacionais e referenciais no desenvolvimento da competência metagenérica
Maria Angélica Freire de Carvalho (Professora Adjunta
do Programa de Pós-Graduação em Linguistica da UFPI)
Em uma
Gêneros discursivos, modos do pensamento e a produção textual do jovem contemporâneo
Maria Aparecida
Gomes Barbosa (Professora Assistente da UERN)
As tecnologias
da informação detêm um papel significativo no modo como se desenvolvem os sujeitos
produtores de textos. Nas universidades e colégios de
educação de nível médio, os textos alfabéticos veiculados em plataformas
clássicas, como livros e outras mídias em papel) estão relacionados a um
modelo de produção de textos que tem se mostrado um desafio para boa parte dos
alunos, cujo cotidiano já envolve preponderantemente o emprego de mídias hipertextuais. Este trabalho analisa o impacto das mídias
sobre o desenvolvimento dos modos do pensamento humano, tomados a partir de
modificações da teoria básica de Jerome Bruner sobre
modos narrativo e científico, tendo por objetivo caracterizar o papel do
professor do ensino médio e dos cursos de graduação enquanto agente de
letramento responsável pela introdução e desenvolvimento de gêneros discursivos
acadêmicos entre seus alunos.
[1] Também compreendida como uma macroárea, tamanha a indissociabilidade dos vários campos do conhecimento de que
se necessita a verdadeira compreensão dos fatores envolvidos, incluindo-se os
sujeitos em devir, os modelos de
representação subjacentes, as circunstâncias intereferentes
sobre a produção e seu desenvolvimento etc. Cf. SENNA, L. (2007) Prefácio. In: Letramento – princípios e processos.
Curitiba: IBEPEX.
[2] Compreende-se como pós-estruturalistas
todos os modelos e contextos representacionais que se baseiam em teorias de
sistemas não fechados, em transformação e sujeitos a determinações do meio
exterior. Cf. MACHADO, C. (1988) O conceito de racionalidade em Habermas: a
'guinada lingüística' da teoria crítica. Trans/Form/Ação, v.
11, p. 31-44. https://dx.doi.org/10.1590/S0101-31731988000100005;
OLIVEIRA, G., OLIVEIRA, A., MESQUITA, R. (2013) A teoria do discurso de Laclau e Mouffe e a pesquisa em
educação. Educação & Realidade,
v. 38(4), p. 1327-1349. https://dx.doi.org/10.1590/S2175-62362013000400017.
[3] O Construtivismo foi o movimento ocorrido no Brasil,
preponderantemente entre os anos de 1980 e 2000, baseado
inicialmente nas pesquisas em alfabetização que reuniam sob um mesmo discurso
acadêmico e aplicado contribuições de Jean Piaget, Lev Vygotsky e Noam
Chomsky. Ainda nos anos de 1990, o Construtivismo foi mudando de fisionomia e passando
a incorporar contribuições de Bakhtin, vindo a se tornar, mais tarde, em um
movimento chamado “estudos culturais”.
[4] A expressão “falante-ouvinte ideal” é oriunda de CHOMSKY, N. (1966)
Aspects of the theory of
syntax. Cambridge/MS: MIT Press. Está empregada aqui
como representação genérica de um sujeito teórico que prevalece em todo o
pensamento estruturalista, com propriedades estáveis e conformado a certa
abstração modelar associada a um certo padrão de
sistema linguístico.
[5] As sociedade pós-industrial introduz
diferentes tipos de tecnologias de informação e produção de textos, cujas
propriedades intervieram de forma a mais substantiva sobre os perfis e modos de
produção textual, assim como sobre os perfis de sujeitos sociais e cognoscentes que se introduzem na esfera pública. Cf.
SENNA, L A G (2005) Reflexões sobre mídias e letramento. In:
OLIVEIRA, I B; ALVES, N; BARRETO, R G Orgs. Educação - métodos, temas e linguagens.
Rio de Janeiro: DP&A.
[6] Cf. SCHMITZ, J. (2010) Some polemical issues. In: Applied Linguistics. Revista
Brasileira de Linguística Aplicada, 10(1), 21-42.https://dx.doi.org/10.1590/S1984-63982010000100003;
OLIVEIRA, M. (2013). A noção de verdade e a pesquisa em linguística aplicada:
Bakhtin como um possível interlocutor. Trabalhos em Linguística
Aplicada. V. 52(2), p. 203-216. https://dx.doi.org/10.1590/S0103-18132013000200002;
SENNA, L A G (2008) Formação docente e educação inclusiva. In:
Cadernos de Pesquisa v. 38 São Paulo: FCC. ISSN: 0100-1574.
[7] Programas de pós-graduação de diferentes áreas do conhecimento
desenvolvem pesquisas de interesse para o campo do letramento e da
alfabetização. Porém, como o próprio campo anda não se reconhece como tal, as
contribuições dispersas não se referenciam como referências, fato que prejudica
imensamente, não somente a pesquisa por fontes de conhecimento, como
desenvolvimento de parcerias interdisciplinares. No Brasil, todos os programas
de pós-graduação credenciados pelo Governo Federal são obrigados a manter na
internet dados atualizados sobre suas vocações acadêmicas e textos integrais de
sua produção discente vinculada.
[8] JACOBINA, R. (2000) O paradigma da epistemologia histórica: a
contribuição de Thomas Kuhn. In: História,
ciência e saúde-Manguinhos, n. 6(3), p. 609-63.