DISCURSO REPORTADO É PROBLEMA; INTERAÇÃO FICTIVA, SOLUÇÃO: PADRÕES DISCURSIVOS E INFORMACIONAIS EM CORPUS DE FALA ESPONTÂNEA DO PB
Keywords:
Fictividade, Interação Fictiva, Discurso Reportado, Fala espontânea, Fictivity, Fictive Interaction, Reported Speech, Spontaneous Speech, Fictividad, Interacción ficticia, Discurso indirecto, Habla espontáneaAbstract
Este artigo trata de dois fenômenos conceptualmente correlatos, Discurso Reportado (DR) e Interação Fictiva (IF) (Pascual 2014) a contar com o que fundamenta a Teoria da Fictividade (Talmy 2000) acerca de representações discrepantes de um mesmo objeto: no caso, o discurso. Postula-se que DR e IF acionam o Frame de Conversa para estruturar a construção discursiva, porém o primeiro é tomado como factivo ou genuíno e o segundo, como fictivo ou não genuíno. Em busca de evidências empíricas no C-ORAL-BRASIL I (Raso e Mello 2012), corpus de fala espontânea informal de diatopia mineira, verificou-se que instâncias de Discurso Reportado canônico representam problemas factuais, enquanto as de Discurso Reportado em Interação Fictiva, soluções pró-factuais, consoante o padrão discursivo “Problema-Solução” (Hoey 2001). Além disso, observou-se que tais enunciados de metailocução, fictivos ou factivos, embora portadores de atos ilocutivos únicos, agrupam-se em frames atencionais (Langacker 2008) que transcendem a unicidade dos componentes informacionais, relacionando-os prosódica e pragmaticamente.