O objetivo deste trabalho é apresentar algumas propriedades de um grupo de nomes gerais do português brasileiro, especialmente aquelas verificadas nos falares mineiros. Consideram-se nomes gerais certas unidades linguísticas como coisa, negócio e trem, cuja definição é composta apenas por traços semânticos muito genéricos, tais como [+/- humano] ou [+/- contável]. Além disso, constituem uma classe intermediária entre os nomes e os pronomes, tal como destacado por Halliday e Hasan (1995 [1976]) e outros. Em geral, os nomes gerais são associados à oralidade, uma vez que são usados pelo falante para se referir a algo que ele não quer, não pode ou não sabe nomear (Kleiber, 1987; Koch, 2004; Marcuschi e Koch, 2006). Os dados analisados fazem parte de um corpus de entrevistas sociolinguísticas realizadas com informantes adultos em diferentes cidades do estado de Minas Gerais (Belo Horizonte, Caeté, Campanha, Minas Novas, Paracatu, entre outras). Considerando os pressupostos teóricos da gramaticalização, são discutidos, neste trabalho, os aspectos referentes à perda de traços semânticos e à perda de características morfossintáticas (Haspelmath, 1997; Heine e Song, 2010; 2011). A análise das propriedades desses elementos permite não só corroborar a sua exclusão do conjunto de elementos que conformam o léxico da língua (Mihatsch, 2006), mas também vinculá-los a estágios específicos do processo de gramaticalização (Heine e Kuteva, 2002; Heine e Song, 2011), especialmente se comparados a determinados itens (nomes e pronomes) de outras línguas naturais (Giacalone Ramat e Sansò, 2007; 2011). Apoio: FAPEMIG (Processo: APQ-00012-11)
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