Esta pesquisa tem como objetivo analisar as estratégias discursivo-argumentativas utilizadas por Agostinho em alguns dos textos que constituem o Corpus antidonatista, considerando estes textos como discursos polêmicos, para confirmar ou modificar a hipótese sobre a Questão geradora da polêmica. O Corpus estabelecido até o presente momento é formado pelas obras: De baptismo contra donatistas (400-401), Tractatus in Iohannes Evangelium – sermões 1-16 (416-417), Prosecutiones Augustini in collatione cum donatistis (411), e Sermo ad Caesariensis Ecclesiae Plebem (18.09.418). O foco da pesquisa se concentra sobre a revisão e descoberta das Questões geradoras e subjacentes à polêmica, sem considera-las óbvias e evidentes. Para identificar estas Questões, buscamos realizar o estudo das estratégias discursivas e argumentativas utilizadas por Agostinho como respostas às supostas Questões. Ao verificarmos que estas estratégias se apoiam na história precedente da polêmica antidonatista, buscamos fazer um levantamento desta história, como conhecimento enciclopédico (ou repertório) útil para a compreensão dos textos que constituem o objeto deste trabalho. Nosso ponto de partida teórico é a retórica de base aristotélica, reexaminada pela Nova Retórica de Chaïm Perelman e Lucie Olbrechts-Tyteca e de seus sucessores, tais como Michel Meyer, Ruth Amossy, Christian Plantin, Lineide Salvador Mosca, e outros autores que trabalham a argumentação numa visada discursiva, com destaque para o discurso polêmico.
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