Câmara Jr. afirma que o quadro vocálico das cinco vogais átonas mediais em posição
não final (i e a o u) teria sido trazido para o Brasil na primeira fase da colonização
portuguesa (CÂMARA JR., 1975, p. 44), entretanto, não seria ocioso lembrar que
a escrita dos documentos notariais, registrados até 1803, ainda não representaria o
português brasileiro escrito (RAMOS; VENÂNCIO, 2006, p. 581). R. Wright (1998,
p. 304) ressalta que o escrito não pode representar globalmente todo o fonético, mas,
quando somente se dispõe de documentação escrita, apenas através dela é possível
avaliar o processo de mudança verificado em fases mais antigas da língua. Em
continuidade ao estudo da grafia das vogais átonas que se vem fazendo na scripta
dos Livros do Tombo do Mosteiro de São Bento da Bahia, tem-se procurado avaliar
quais indícios indicam a realização dessas vogais em posição pretônica. A partir
dos resultados obtidos por Myrian Barbosa da Silva (1989), tentou-se identificar e
classificar os diferentes processos aí documentados e, com os resultados obtidos, não foi
possível, identificá-los e classificá-los, entretanto, as variações gráficas mostram uma
interferência da fala na escrita. Por sua vez, a proposta de Motta (1979), para a variante
de Ribeirópolis (SE), levou à reflexão sobre a distribuição contextual das vogais átonas,
considerando a sua posição na sílaba. Para duas das variáveis analisadas foram obtidos
alguns registros sistemáticos, mas a variação gráfica para a representação escrita das
vogais átonas pretônicas, nos Livros do Tombo, parece ser insuficiente pela quantidade
de dados registrados. Segundo o levantamento realizado nos documentos já analisados
(originais dos séculos XVI, XVII e XVIII trasladados no início do século XVIII e do
XIX), acredita-se estar diante de um fenômeno linguístico em processo, como se pode
comprovar pelos fatos gráficos, mas que se apresentam, ainda, como variação livre.
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