Este trabalho tem como objetivo discutir o funcionamento discursivo do espanhol/língua estrangeira (ELE), a partir de materiais didáticos direcionados à área de negócios, em circulação no mercado editorial brasileiro contemporâneo. Nesse sentido, tal trabalho se inscreve no campo teórico-metodológico da Análise de Discurso (AD), de base materialista, em sua relação com o Projeto História das Ideias Linguísticas (HIL), articulado por Sylvain Auroux, na França e, de forma particular, no Brasil, por Eni Orlandi. Ao partirmos dessa perspectiva, consideramos o conceito de gramatização, tal qual concebe Auroux (1992), isto é, como o processo de instrumentalização de uma língua através de gramáticas e dicionários. Em nosso caso específico, a instrumentalização do espanhol/língua estrangeira (ELE), através de livros didáticos para o ensino superior, direcionados aos negócios internacionais. Além disso, ao adotarmos uma abordagem materialista da língua, concebemos estes materiais como objetos discursivos. Isto é, como discursos sobre a língua, sobre as palavras ou sobre um setor da realidade, para um público leitor, em certas condições sociais e históricas. Desse modo, para o desenvolvimento do trabalho, realizamos um levantamento da produção de instrumentos lingüísticos, para o ensino do espanhol para falantes brasileiros, inseridos no contexto enunciativo do MERCOSUL, buscando verificar seus efeitos sobre o processo de gramatização dessa língua no Brasil e refletir sobre os processos simbólicos e imaginários que o constituíram como língua das relações comerciais internacionais, a partir de sua inscrição em um espaço ampliado. Os resultados parciais apontaram que, a partir dos anos 90, houve uma produção maciça de materiais didáticos de espanhol de autoria espanhola, o que demonstra que na base dessa questão existe uma política lingüística e uma forte relação entre língua e mercado que precisam ser analisadas.
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