S14. Psicolinguística, Processamento linguístico e Aquisição da Linguagem  (Comunicações)

PRINCÍPIO B DA TEORIA DA LIGAÇÃO E O PROCESSAMENTO CORREFERENCIAL EM DOIS ESTAGIOS.
MÁRCIO MARTINS LEITÃO 1, GITANNA BRITO BEZERRA 1
1. UFPB - Universidade Federal da Paraíba
leitaomm@yahoo.com.br



Este trabalho tem como objetivo investigar a atuação do princípio B da Teoria da Ligação (Chomsky, 1981) no processamento do pronome “ele”, observando se os traços de gênero, número e animacidade atuam em conjunto ou em separado na consideração de antecedentes indisponíveis pelo princípio B. Alguns estudos tem proposto que há influência dos antecedentes indisponíveis, como os de Sturt (2003) e Kennison (2003) testando a língua inglesa, em português brasileiro, temos o estudo de Leitão et al. (2008) que encontrou resultados na mesma direção. A ideia básica é que o processamento correferencial ocorreria, no escopo da sentença, em dois estágios. No primeiro estágio, segundo Kennison, ocorre a geração de um conjunto de candidatos antecedentes, o qual inclui tanto antecedentes disponíveis, quanto indisponíveis. O segundo estágio envolve as restrições de ligação, as quais guiam a ligação dos pronomes aos antecedentes, sendo esta ligação avaliada em um estágio de resolução anafórica. Quando nenhuma ligação é feita por não haver antecedentes disponíveis no contexto da sentença, antes de terminar a busca por um antecedente, pode-se inferir que o pronome refere-se a uma entidade não mencionada ou pode-se estabelecer uma relação com o antecedente indisponível, violando as restrições de ligação, a existência desses dois estágios foi testada no experimento.O experimento utilizou a técnica experimental de leitura automonitorada e os 25 participantes, estudantes de graduação da UFPB, foram expostos a 20 frases experimentais e mais 40 frases distratoras divididas em 6 segmentos. A variável independente foi a relação de semelhança dos traços de gênero, número e animacidade entre o antecedente indisponível e o pronome “ele”. As variáveis dependentes foram os tempos de leitura do segmento crítico (segmento 4) e do segmento pós-crítico para averiguar um possível efeito de spillover. Os resultados mostram a atuação dos traços do antecedente indisponível em um segundo estágio do processamento correferencial.


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