S1. Análise de estruturas linguísticas - Pragmática (Comunicações)

POLIDEZ E INDIRETIVIDADE: ESTRATÉGIAS E MODELOS DE ANÁLISE
JAN EDSON RODRIGUES LEITE 1
1. UFPB - Universidade Federal da Paraiba
edson123@gmail.com



Este trabalho visa discutir a teoria da polidez na linguagem, ao tempo em que argumenta em favor de uma abordagem que congregue tanto os aspectos pragmáticos quanto os cognitivos da polidez e da indiretividade os quais são evidenciados pelos registros de língua associados às circunstâncias reais de uso, empregados pelo falante nos diversos contextos em que atua, a fim de manter uma identificação com os propósitos, intenções e conhecimentos dos participantes do processo comunicativo. Recorreremos inicialmente, nesta argumentação, à revisão do clássico conceito de “face” de Goffman (1967, 1970, 1971), como parte de sua noção de deferência e ao modelo estratégico de análise proposto por Brown e Levinson (1978, 1987), de quem tomaremos emprestada as concepções de atos de ameaça à face; estratégias de polidez positiva e negativa como atenuantes dos atos de ameaça à face; distância social, poder relativo e hierarquia. À concepção clássica desses autores, situada no terreno da etnografia da comunicação e da pragmática linguística, acrescentaremos algumas considerações em torno das noções de “frame”, modelos cognitivos e estruturas de conhecimento, oriundas de terreno diverso: o da semântica cognitiva.Encerraremos nossa discussão apresentando exemplos colhidos no ambiente institucional da aula, a fim de demonstrar que, na tentativa de minimizar os efeitos dos ataques à face e preservar a interação e cooperação comunicativa, os falantes recorrem a determinadas estratégias de polidez e cortesia as quais resultam da necessidade do grupo social de transmitir certas informações e, ao fazê-lo, controlar as agressões, manter a interação social e dar continuidade aos propósitos comunicativos para os quais os participantes estão engajados.


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