Investir no pensamento da escrita, isto é, no próprio processo de escrever, é uma forma de auxiliar alunos e professores a vencerem os desafios em relação à construção da coesão e da coerência na produção de textos escritos. Nesse contexto, esta comunicação aborda o ensino e a aprendizagem da produção escrita, visando refletir sobre o processo de escrever numa perspectiva sociocognitiva e interacional. Essas reflexões têm como base teórico-metodológica o diálogo entre a Linguística Textual, em sua vertente sociocognitiva e interacional, os estudos da Pedagogia da Escrita e os Estudos da Cognição. Assumimos como Plane (1994;1996) que escrever é um trabalho e implica resolver problemas que exigem operações complexas, constantes e, dificilmente, automatizadas. Koch (2006) corrobora as ideias de Plane ao postular que estratégias cognitivas, em sentido restrito, são aquelas que consistem na execução de algum “cálculo mental” por parte dos interlocutores. Para Cavalcante e al. (2012, p. 229) o crescimento das pesquisas no campo da cognição, levou a Linguística Textual a ocupar-se de questões direcionadas ao processamento textual, às formas de representação do conhecimento na memória, às estratégias sócio-cognitivas e interacionais. Destacam-se também, nesse campo, estudos de Mondada e Dubois (2003); Marcuschi (1998, 2006) e Adam (2008) e Coirier, P; Gaonac’h, D & Passerault, J.M. (1996). Essas bases teóricas nos permitem conceber a linguagem como artefato cultural e instrumento mediador do pensamento, constituindo-se, indissociavelmente, como o lugar de interação social e de elaboração cognitiva situada. Orientados por essa base teórico-metodológica e por essa concepção de linguagem, apresentaremos análise de um corpus de redações de vestibular, com o intuito de ampliar a discussão sobre o ensino e aprendizagem da produção escrita na escola e de sugerir estratégias para uma intervenção eficiente do professor que leve ao desenvolvimento da proficiência escritora dos alunos.
|