Reconheço a intersubjetividade como um amplo domínio relativo à organização da interação, e, por isso mesmo, como um campo fértil para arranjos no nível semântico e reanálise no nível sintático, envolvendo significados relativos tanto às manifestações do falante quanto do ouvinte. Esse reconhecimento, leva à elaboração da hipótese de que processos de gramaticalização/discursivização são extremamente produtivos na constituição do paradigma de intersubjetividade e são decorrentes de negociações pragmáticas, atribuidoras
de novos significados contextuais, a formas conceituais pré-existentes, como é o caso de Pra mim, Que eu saiba, Se não me falha a memória, que têm um significado conceitual, de valor semântico mais concreto, descritivo de estados de coisas, de eventos no mundo, integrante do mundo de re, quando em contextos do tipo 1, 2, 3. Ele trouxe um presente pra mim. (objeto indireto, dativo) (2) Talvez ele pense que eu saiba de muita coisa sobre o sequestro (predicado encaixado)(3) Se não me falha a memória, eu escrevo com riqueza de detalhes sobre coisas que vivi quando ainda era ainda muito criança. (oração condicional)
A coocorrência dessas formas com respectivos significados interpessoais sugere um rearranjo no sistema linguístico do português brasileiro, provavelmente, já implementado no dialeto goiano, variedade em foco neste estudo. Postulados funcionalistas da escola holandesa, da gramática cognitiva e da teoria clássica da gramaticalização embasam a análise.
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