S4. Dialetologia e Sociolinguística (Comunicações)

O CONTRASTE ENTRE AS VARIANTES PRONOMINAIS E NÃO-PRONOMINAIS NA VARIAÇÃO DO OBJETO DIRETO ANAFÓRICO.
ALINE BERBERT TOMAZ FONSECA 1
1. UFES - Universidade Federal do Espírito Santo
aline_btf@hotmail.com



O presente estudo busca a sistematização do fenômeno do preenchimento do objeto direto anafórico na fala de Vitória – ES. Trabalhos anteriormente publicados (Omena,1978; Duarte,1989) constataram que o clítico acusativo de terceira pessoa (faço exame e nunca volto pra mostrá-los), destacado pelas gramáticas normativas como a única forma correta de realização desse fenômeno, está em vias de desaparecimento na língua falada, sendo substituído pela categoria vazia (quando vou pegar a bola geralmente os cara chuta [0]), pelo sintagma nominal anafórico (tivemos que lavar o carro... porque ele sujou o carro todinho) e pelo pronome lexical (a Fernando Ferrari... dizem que vão melhorar ela). Na presente pesquisa, analisamos a amostra do Projeto PORTVIX – Português Falado na cidade de Vitória – constituída por 46 entrevistas tipicamente labovianas, divididas pelo sexo/gênero do falante, sua escolaridade e sua faixa etária. Temos por base os pressupostos da Teoria da Variação e da Mudança Lingüística, de William Labov (2008 [1972]) e usamos o programa Goldvarb X (SANKOFF, David; TAGLIAMONTE, Sali; SMITH, Elen, 2005) para a análise estatística dos dados. Os nossos resultados ratificam que o clítico acusativo de terceira pessoa está em vias de desaparecimento, conforme verificamos a seguir: clítico (0,5%), pronome lexical (13,4%), sintagma nominal anafórico (28,2%) e categoria vazia (58%). A partir dos resultados obtidos, verificamos que o comportamento linguístico das categorias pronominais (clítico e lexical) se distingue das categorias não-pronomes (sintagma nominal e vazio) formando, assim, dois grupos distintos dentro do fenômeno: as estratégias de preenchimento mais antigas contra as inovadoras. Pretendemos, então, propor uma hierarquia das variáveis que atuam sobre o fenômeno em tela, analisando-se, para isso, variáveis sintáticas (função sintática do antecedente, estrutura da sentença), morfológicas (número e classe gramatical do antecedente), semânticas (animacidade e especificidade do antecedente). Palavras – Chave: Sociolinguística; Objeto direto; Variação


468