A educação no Brasil esteve confiada ao clero secular até meados do século XVIII, período que pode ser, na Bahia, dividido em duas vias concomitantes, a partir de uma origem comum, a saber: 1ª) Fundação de colégios para meninos, aulas primárias e avulsas, seminários, cursos superiores de Teologia, Artes e Matemáticas e o envio dos alunos mais abastados para a Universidade de Coimbra; e 2ª) Aldeamentos e aculturação dos indígenas sobreviventes entre os que não conseguiram recuar rumo ao interior do país. Os aldeamentos foram comuns na Bahia entre fins do século XVII e início do século XIX, sobretudo nos sertões. Uma das primeiras missões, a de Nossa Senhora da Trindade de Massacará data de 1639, tendo os padres João de Barros e Jacobo Rolambo feito visitas em 1666 (BARROS, 1919:17; CARNEIRO DA CUNHA, 1992:165), além de outros. Entretanto, é difícil precisar quantos foram os aldeamentos, pois muitos eram transferidos de lugar ou mudavam de nome ou aparecem com grafias diferentes. Um levantamento feito com base em Dantas et al (1992); Puntoni (2002:295-299); Pompa (2003:304-305); Silva (1989) e Regni (1988 ) mostra que ao longo dos séculos XVII e XVIII existiam, ao menos, 56 missões, sob a administrações de várias ordens, sobretudo, jesuítas, capuchinhos e carmelitas. Esses estudos e as várias pesquisas desenvolvidas (cf. SANTOS, 1988; SANTOS, 2002; CARVALHO JR., 2005; SILVA JR., 2007; SIERING, 2008; BRUNET, 2008, entre outros) trazem dados importantes que nos levam a propor, neste trabalho, a apresentação de informações sobre o complexo ambiente de relações entre indígenas, missionários e colonizadores, através da “escolarização” de indígenas nesses ambientes, e trazer questões sobre a construção desse espaço com implicações linguísticas importantes daí advindas, desde o contato de línguas até a inserção do indígena no mundo da escrita.
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