S4. Dialetologia e Sociolinguística (Pôsteres)

O APAGAMENTO DO /R/ NA FALA CULTA E POPULAR DE FEIRA DE SANTANA
SHIRLEY CRISTINA GUEDES DOS SANTOS 1, JOSANE MOREIRA DE OLIVEIRA 2
1. UEFS - Universidade Estadual de Feira de Santana, 2. UEFS - Universidade Estadual de Feira de Santana
shirleycgs@hotmail.com



As línguas estão envolvidas em um conjunto de atitudes que os falantes trazem consigo quando as utilizam. Em situações diárias, em que a língua é usada em contextos não formais, o falante não observa o como fala, mas o que fala, fazendo surgirem formas linguísticas variadas. Essa variação ocorre, sobretudo, no nível fonológico, em que as diferentes (não)realizações de um mesmo fonema podem ocorrer, em virtude de fatores linguísticos e extralinguísticos. Com o objetivo de estudar o apagamento do rótico como variante na fala culta e popular na cidade de Feira de Santana e contribuir com as pesquisas que aventam a hipótese da posteriorização da líquida não-lateral num continuum que se inicia com a realização da vibrante apical em direção ao zero fonético, passando pela vibrante uvular, fricativa uvular e velar aspirada, foram selecionados e analisados doze inquéritos do banco de dados de fala do Projeto A Língua Portuguesa do Semiárido Baiano, sediado no Núcleo de Estudos da Língua Portuguesa, da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS. De acordo com a literatura sobre o fenômeno, a qual considera o apagamento como mudança em andamento, buscou-se fazer um panorama da (não)realização do fonema, seguindo as orientações teórico-metodológicas da sociolinguística quantitativa laboviana, a qual leva em conta que os fenômenos de variação e mudança, observados nas comunidades de fala, não são aleatórios, mas controlados por fatores internos e externos, que atuam de forma sistemática. Assim, foram controladas as seguintes variáveis: (a) sociais: sexo; faixa etária; escolaridade; e (b) linguísticas: posição no vocábulo; modo e zona de articulação; tonicidade da sílaba; entre outras. Os resultados indicam os fatores que mais condicionam o apagamento do /R/ na cidade de Feira de Santana, contribuindo com os dados estatísticos das pesquisas sobre o fenômeno que buscam confirmar o processo de mudança em andamento.


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