Desde os anos de 1980, pesquisadores da área de linguagem vêm defendendo a necessidade de mudanças na abordagem escolar das atividades de leitura, escrita, oralidade e gramática, propiciando ao aluno condições para ler de forma crítica, escrever para alguém e falar fluentemente dentro de uma modalidade adequada ao contexto de usos da língua. Especificamente quanto ao ensino da escrita, defendem um trabalho de caráter situado que considere as condições de produção e circulação dos textos, os objetivos do autor, o compartilhamento de sentido com o leitor, dentre outros aspectos. Entretanto, apesar dos debates acadêmicos, as práticas de ensino de produção textual continuam a solicitar do aprendiz a escrita de textos artificiais, descontextualizados, não levando em conta a produção e a circulação dos gêneros textuais presentes na sociedade. Tendo em vista esta realidade, este trabalho visa a apresentar e discutir os resultados de uma pesquisa (PIBIC/CNPq/UFCG 2013/2014) que objetivou Investigar concepções e práticas de ensino de escrita de professores do Ensino Fundamental de escolas públicas da cidade de Campina Grande, com foco nas condições de produção e circulação dos textos/gêneros textuais. O corpus de análise foi constituído por: 1) questionários focando aspectos do ensino da escrita; 2) propostas de atividades de escrita elaboradas pelos docentes e 3) observação de aulas de produção de textos. Os dados foram analisados à luz de uma perspectiva sociointeracionista de linguagem, com base nos estudos de Britto (2009), Marcuschi (2008), Marcuschi e Leal (2009), Antunes (2003), Geraldi (2002), bem como de estudos fundamentados no Interacionismo Sociodiscursivo (Bronckart, 1999; 2006; Schneuwly e Dolz, 2004). Os resultados parciais apontam para o fato de que as propostas de escrita na escola não correspondem aos diferentes usos sociais da escrita.
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