Neste estudo, analisamos condicionamentos estilísticos e sociais dos marcadores discursivos (MDs) originados do item lexical entender, a saber, entende?, entendeu? e tá entendendo?, no português falado em Manaus (AM). Atentando para o caráter variável dos MDs, nosso estudo converge pressupostos variacionistas (Labov, 2006; 2008) e funcionalistas, sobretudo da gramaticalização (Heine, 2001; Traugott, 2001). Como observam Görski e Freitag (2006), MDs podem permutar com outros desde que mantenham o mesmo significado num mesmo contexto, ressalvando que esse intercâmbio não é aleatório e que pressões linguísticas e sociais atuam condicionando o uso. Além disso, especificidades de uma comunidade linguística podem promover o surgimento de um item, influenciar no tempo de desenvolvimento da gramaticalização, favorecer a manutenção e/ou o desaparecimento de uma forma (Nevalainen e Palander-Collin, 2011; Poplack, 2011). Para esta pesquisa, utilizamos 25 registros do projeto Fala Manauara Culta (FAMAC), sendo 10 diálogos e 15 entrevistas. A partir dessa amostra, verificaremos a frequência de uso (Bybee, 2003) correlacionada ao sexo do falante (masculino ou feminino), à sua faixa etária (20- 35 anos, 36-55 anos, e 56 anos em diante) e ao tipo de registro (entrevista – situação mais formal – e diálogo – menos formal). Também analisamos como variável o indivíduo aventando a hipótese de que o falante se aproprie de uma única variante para seu uso corriqueiro, automatizando-a; considerando-se que os MDs aqui investigados atuam basicamente no plano interpessoal (Travaglia, 2003; Valle, 2001), o falante provavelmente elege uma delas a fim de tornar mais fluido o discurso. Resultados preliminares deste estudo apontam que há variação na comunidade de fala manauara – preferindo-se a forma entendeu? –, mas não nos indivíduos, pois cada um elege uma única forma para usar recorrentemente.
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