Reconhecemos que há muitos aspectos a serem observados no tema leitura, o que nos faz acreditar na sua riqueza de possibilidades investigativas. No entanto, esta riqueza, a fim de ser vista mais precisamente, obriga-nos a fazer um recorte, necessário quando se estuda certo objeto. Sendo assim, este trabalho escolhe um aspecto, dentre tantos, para estudar a leitura: investigar as concepções de leitura dos professores das séries iniciais do ensino fundamental. Deste modo, ciente das múltiplas, e por vezes excludentes, possibilidades de considerar a leitura, desenvolvemos nossa pesquisa baseando-nos no professor enquanto um dos sujeitos participante do processo de ensino-aprendizagem. A fim desenvolvermos este trabalho baseamo-nos, teoricamente, nos postulados de diversos estudiosos que tratam dos modelos de leitura, como Adam e Collins (1979), Goodman (1976, 1988), Pearson e Stphens (1985), Rumelhart (1980, 1985), Samuels e Kamil (1988), (Schnewvly e Dolz, 2004; Cordeiro, 2004; Thévenaz, Schneuwly, Soussi, Ronveaux, Aeby, Jacquin, Léopoldoff, Cordeiro & Wirthner, 2011, entre outros). A fim de analisarmos as concepções de leitura dos professores das séries iniciais do ensino fundamental, realizamos uma entrevista do tipo estruturada com nove professores que lecionavam em escolas públicas da capital cearense. Ao analisarmos os dados, observamos que a concepção interativa, a qual vê a leitura muito mais que a habilidade de decodificar, foi predominante. Tais achados nos permitem concluir que os professores começaram a perceber que ler extrapola a decifração e que é preciso, portanto, conduzir os alunos a práticas de leitura não puramente escolares.
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