Em três recomendações para o ensino, os PCNLP, (a) ao adotarem
o texto como unidade básica, (b) ao tomarem a produção linguística como
produção de discursos contextualizados, e (c) ao assumirem a ideia de que
os textos distribuem-se num contínuo de gêneros estáveis com características
próprias e socialmente organizados tanto na fala quanto na escrita, situam
o trabalho com o texto, com o discurso e com os gêneros do ponto de vista
de suas características de produtos social e historicamente situados. Neste
trabalho, atendo-me a esses produtos, pretendo observar um momento
do processo de escrita de estudantes com alta escolaridade. Investigo a
produção de capítulos de livro por estudantes e profissionais graduados e pós-
graduados. O material foi coletado por ocasião da edição de um livro sobre
letramento acadêmico organizado por mim, e a metodologia de análise baseou-
se em critérios de edição partilhados com esses escreventes no ato da leitura
de seus textos, lidos coletivamente. Dentre os aspectos observados, destaca-
se, como resultado, que esses escreventes se baseiam, a exemplo de alunos
de outros níveis de escolaridade, em gêneros já dominados, como o projeto de
pesquisa, o artigo acadêmico e o trabalho monográfico de final de disciplina.
Destaca-se, ainda, como característica do nível de escolaridade pesquisado,
uma curiosa relação entre teoria adotada e resultados obtidos, redundando,
em certos casos, num efeito de circularidade entre teoria e produto de análise,
como se o material analisado não representasse nada mais do que uma
ilustração da teoria. A expectativa de contribuição para o ensino nesses níveis
de escolaridade é destacar a importância de investigar o processo de escrita
mesmo em níveis avançados e de levantar a hipótese de que a circularidade no
percurso teoria-análise-teoria (esta última como simples volta ao começo) pode
estar presente em outras áreas de conhecimento.
Palavras-chave: discurso, ensino, escrita, funcionamento sócio-histórico,
graduandos, língua, pós-graduandos.
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