S4. Dialetologia e Sociolinguística (Comunicações)

PARTICÍPIOS DUPLOS NO PB: NORMA PRESCRITIVA E AVALIAÇÃO SOCIAL
FERNANDA LIMA JARDIM MIARA 1
1. UFSC - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
nandalj.miara@hotmail.com



As línguas humanas sofrem transformações em sua estrutura ao longo dos séculos. As construções com particípios, em sentenças ativas (ter/haver) e passivas (ser) no PB, confirmam essas variações, contribuindo com a dinamicidade das línguas naturais. Sabe-se que construções com particípios, segundo algumas gramáticas prescritivas, devem obedecer a regras conforme o verbo auxiliar da sentença e o verbo abundante que as constituem. Diante disso, surgem algumas questões: (i) os falantes são sensíveis às regras prescritas relacionadas ao uso de particípios duplos? (ii) Quais formas de particípio – regulares e irregulares – apresentam mais prestígio para os falantes? (iii) Os verbos se comportam da mesma maneira nessas sentenças? Esta pesquisa objetiva elencar algumas gramáticas que prescrevem o uso dos particípios, expondo regras de construção de sentenças ativas e passivas com verbos abundantes, na tentativa de responder algumas dessas questões, relacionando-as à avaliação de falantes catarinenses, com base na Sociolinguística Variacionista (WEINREICH, LABOV, HERZOG, 1968; LABOV, 1972, 1982, 2001, 2010). Para tanto, foi aplicado um teste de avaliação a 48 informantes florianopolitanos, distribuídos igualitariamente com relação a sexo, faixa etária e escolaridade, a fim de examinar se há influência de fatores sociais nessas escolhas, além de fatores linguísticos. O teste é formado por 46 sentenças, nas quais são analisados doze verbos – salvar, imprimir, entregar, pagar, ganhar, gastar, pegar, abrir, escrever, chegar, trazer e descobrir –, de acordo com o modelo: (1) A secretária tinha imprimido o arquivo, (2) A secretária tinha impresso o arquivo, (3) O arquivo foi impresso pela secretária, (4) O arquivo foi imprimido pela secretária. Resultados já apontam que as formas irregulares de particípio são as mais bem avaliadas pelos falantes catarinenses, o que, de certa forma, contrapõe a avaliação social às regras prescritivas (MIARA, 2013), havendo, pois, uma forte tendência em se evitar particípios regulares (BARBOSA, 1993).


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