O objetivo geral de nossa pesquisa foi analisar, com base na sociolinguística quantitativa, o comportamento das oclusivas dentais em contextos de assimilação regressiva, já estudados por Bisol (1986), Hora (1990), Macedo (2004),e Pagotto (2004), e progressiva, na comunidade de fala de Itabaiana. No dialeto itabaianese, foram encontradas, com muita frequência, o processo de palatalização, não só de palavras como dente e pente, mas também de palavras como gosto, muito, questão. A partir disso, percebemos que na fala da comunidade de Itabaiana ocorrem tanto a palatalização em contextos de assimilação progressiva, em que o contexto fonológico anterior exerce influência sobre o seguinte, como também ocorre a assimilação regressiva, em que o contexto fonológico posterior é responsável pela palatalização. O pano de fundo teórico desta pesquisa é a teoria da variação, ou sociolinguística quantitativa, William Labov (1972). Este modelo enxerga a língua como um fenômeno social e cultural com variações que podem ser mensuradas e sistematizadas, a partir de um levantamento estatístico de ocorrências das variáveis na fala dos indivíduos da comunidade. Ele opera com números e trata os dados estatisticamente, com o intuito de simplificar a obtenção da quantificação sobre o papel dos fatores condicionadores de aplicação da regra variável e torná-la mais precisa. Dessa forma, o modelo laboviano permite que compreendamos as estruturas variantes existentes em uma língua e que observemos os mecanismos que regem as variações e a mudança linguística. Além delas, foram controladas as variáveis linguísticas: contexto fonológico precedente, tonicidade, número de sílabas, categoria gramatical e tipo de consoante. Para a análise dos dados, após sua transcrição e codificação, foi utilizado o Programa Goldvarb (SANKOFF; TAGLIAMONTE; SMITH, 2005), cuja lógica operacional se apoia na proposta metodológica da sociolinguística variacionista.
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