S4. Dialetologia e Sociolinguística (Comunicações)

O OBJETO DIRETO ANAFÓRICO EM JORNAIS CAPIXABAS
LILIAN COUTINHO YACOVENCO 1
1. UFES - Universidade Federal do Espírito Santo
lilianyacovenco@yahoo.com.br



O presente estudo analisa o preenchimento do objeto direto anafórico na escrita jornalística da cidade de Vitória, confrontando, para isso, dois jornais capixabas: A Tribuna e A Gazeta, jornais estes destinados a públicos distintos. A pesquisa fundamenta-se na Teoria da Variação e da Mudança Linguística (Weinreich, Labov e Herzog (2006 [1968]) e Labov (2008 [1972]) e também toma por base trabalhos já desenvolvidos sobre o tema, como os de Omena (1978), Duarte (1989), Cyrino (1996) e Yacovenco e Berbert (2013), entre outros. Em todos os trabalhos foi constatada a substituição do clítico acusativo de terceira pessoa (Ele foi visto andando na rua, e começamos a segui-lo) por outras três variantes: a categoria vazia (Leopoldo não é criador de cobras. Também não vende [0]), o sintagma nominal anafórico (Estava anunciando a venda do automóvel. O golpista dizia estar interessado em comprar o carro para a esposa) e o pronome lexical (O cara que matei domingo era pistoleiro e disse que ia me matar. Aí, matei ele primeiro). Em pesquisa recente, verificamos que o clítico acusativo de 3ª pessoa não é a variante mais frequente na escrita jornalística, conforme podemos observar a seguir: clítico (42%), pronome lexical (3,1%), sintagma nominal anafórico (46,7%) e categoria vazia (8,2%). Podemos, portanto, observar que, nesse domínio discursivo prevalecem os sintagmas nominais anafóricos, seguidos dos clíticos. A categoria vazia, variante mais frequente na fala, não é muito usada, devido a questões de referencialidade textual. Pretendemos, a partir dos resultados obtidos, discutir a distribuição do objeto direto anafórico e propor uma hierarquização de variáveis que atuam sobre o fenômeno em tela, analisando-se, para isso, variáveis sintáticas (função sintática do antecedente, estrutura da sentença), morfológicas (número e classe gramatical do antecedente), semânticas (animacidade e especificidade do antecedente)e discursivas (gêneros textuais - cartas de leitores, notícias e artigos de opinião).


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