Neste trabalho, busca-se traçar o percurso histórico do editorial jornalístico – que surgiu a partir da chamada carta de redator do século XIX – no Rio de Janeiro, a fim de identificar as mudanças e permanências ocorridas nesta tradição discursiva. Com base na teoria dos gêneros textuais (Marcuschi, 2002; Bazerman, 2006) e no estudo sobre tradições discursivas (Kabatek, 2006), será feita uma análise qualitativa de cartas de redatores do século XIX e editoriais do século XX disponibilizados pelo Projeto VARPORT.
Como as mudanças em um gênero textual e em sua tradição discursiva dependem das necessidades oriundas de transformações culturais e sócio-históricas, tomamos como ponto de partida as hipóteses de que (i) os editoriais sofreram transformações linguísticas, organizacionais e funcionais, de acordo com as necessidades da sociedade, o que gerou modificações em sua constituição; e de que (ii) o editorial jornalístico reflete tanto a época em que se insere quanto o "perfil ideológico" dos meios que representam.
Optou-se, ainda, em uma análise quantitativa, pela utilização do programa computacional VARBRUL (Labov, 1972), a fim de evidenciar quantitativamente alguns traços de inovação da tradição discursiva dos editoriais, como a indeterminação do sujeito, o uso de modalizadores, o uso de adjetivos descritivos, o uso de expressões descritivas como estratégia de referenciação e a presença de marcas de pressuposição.
|