Baseados em um arcabouço teórico de cunho linguístico e filosófico, analisaremos alguns eventos que repercutiram, e ainda repercutem, na mídia televisiva, impressa e nas redes sociais, nos quais a linguagem foi/é mote para a manutenção do mito do monolinguismo, a exemplo da polêmica, em 2011, acerca do livro didático “Por uma vida melhor”. Assim, baseamo-nos nas discussões de Calvet (2002, 2005, 2007) sobre as intervenções das políticas linguísticas, e dos filósofos, a exemplo de Dascal (1989) e Bobbio (1992), com a discussão sobre tolerância e intolerância, respectivamente. Valendo-se desses fundamentos, instigaremos uma reflexão, a partir de textos verbais e verbo-visuais, em circulação, que disseminam a ideia de homogeneidade linguística e, consequentemente, negam o caráter dinâmico, plural e heterogêneo das línguas, isto é, dos falantes destas. Trata-se, portanto, de uma pesquisa de cunho qualitativo-interpretativo, com vistas na desconstrução de mitos que naturalizam um posicionamento discriminatório, que se manifesta tanto como preconceito, quanto como intolerância. Entre os resultados parciais da pesquisa, observamos que a linguagem é um instrumento utilizado para inferiorizar indivíduos e coletividades em prol de uma pureza, correção e uniformidade utópica, histórica e bravamente sustentada pelo discurso do colonizador.
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