S1. Análise de estruturas linguísticas - Pragmática (Comunicações)

ATOS DE FALA E ENSINO
MARIA LEONOR MAIA DOS SANTOS 1
1. UFPB - Universidade Federal da Paraíba
leonormaiasantos@gmail.com



Uma questão pertinente para nós, que estudamos linguagem e trabalhamos no ensino, é como a noção de atos de fala pode ser útil ao ensino, seja de língua materna, seja de língua estrangeira. Este trabalho tem o objetivo de apresentar algumas reflexões sobre essa utilidade, enfatizando o papel da teoria pragmática na formação do professor, sem pretender, por hora, vinculá-las a qualquer sistematização no âmbito da Linguística Aplicada. Vamos nos deter na formulação dos atos de fala devida a J. L. Austin (1962), em especial a distinção entre performativos e constativos, e os atos locutórios, ilocutórios e perlocutórios. Apontamos, em primeiro lugar, o que parece ser uma adequação natural entre o estudo dos atos de fala e o trabalho com gêneros textuais. A observação sistemática de que o propósito do texto é executar uma ação que obtém um efeito pode trazer uma motivação para o estudo daquilo que é considerado socialmente correto ou conveniente na elaboração de peças de certos gêneros. Uma segunda aplicação razoavelmente direta da noção de ato de fala para o ensino de língua, tanto materna como estrangeira, é a observação de que há atos de linguagem mais ou menos formalizados, com mais ou menos regras para ser considerado bem-sucedido. Finalmente, outra possível aplicação da noção de atos de fala é a transformação de atos não explícitos (os que Austin chamou de performativos primários) em atos explícitos, adequados a situações diversas. Em especial, a opção austiniana de considerar os performativos não explícitos como os mais básicos nas línguas humanas, em contraste com os performativos explícitos, é coerente com uma visão de ensino de língua que valorize o saber linguístico que o aluno já traz para a escola, ao mesmo tempo em que estimule o desenvolvimento de outros saberes.


156