S4. Dialetologia e Sociolinguística (Pôsteres)

UMA ANÁLISE SOCIOLINGUÍSTICA DA COMUNIDADE DE JOÃO PESSOA: A PALATALIZAÇÃO DAS OCLUSIVAS DENTAIS EM CONTEXTOS DE ASSIMILAÇÃO PROGRESSIVA
PALOMA DA SILVA FÉLIX 1, PEDRO FELIPE DE LIMA HENRIQUE 1, DERMEVAL DA HORA 1
1. UFPB - Universidade Federal da Paraíba
plm.felix@hotmail.com



O objetivo geral deste trabalho é analisar, com base na sociolinguística quantitativa, o comportamento das oclusivas dentais em contextos de assimilação progressiva, na comunidade de fala de João Pessoa. O que motiva esse trabalho é o fato de, no dialeto pessoense, palavras como muito e gosto sofrerem com mais frequência o processo de palatalização do que palavras como pote e bote. Dessa forma, a assimilação progressiva, em que o contexto fonológico anterior exerce influência sobre o seguinte, está mais presente no dialeto pessoense do que a regressiva, em que o contexto fonológico posterior é responsável pelo processo. A abordagem teórica que serve como pano de fundo para a pesquisa é a teoria da variação, ou sociolinguística quantitativa, William Labov (1972). Este modelo enxerga a língua como um fenômeno social e cultural com variações que podem ser mensuradas e sistematizadas, a partir de um levantamento estatístico de ocorrências das variáveis na fala dos indivíduos da comunidade, ele opera com números e trata os dados estatisticamente, com o intuito de simplificar a obtenção da quantificação sobre o papel dos fatores condicionadores de aplicação da regra variável e torná-la mais precisa. Os dados coletados já estavam armazenados eletronicamente no corpus do VALPB (Projeto Variação Linguística da Paraíba) Hora, 1993. A amostra é constituída de 36 informantes da comunidade, estratificados de acordo com o sexo, a faixa etária e os anos de escolarização, variáveis sociais selecionadas para a análise. Além delas, foram controladas as variáveis linguísticas: contexto fonológico precedente, tonicidade, número de sílabas, categoria gramatical e tipo de consoante. Para a análise dos dados, após sua transcrição e codificação, foi utilizado o Programa Goldvarb (SANKOFF; TAGLIAMONTE; SMITH, 2005), cuja lógica operacional se apoia na proposta metodológica da sociolinguística variacionista.


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