POLISSEMIA EM DEBATE Esta sessão tem por objetivo discutir a questão da ambiguidade, mais especificamente da polissemia, sob a perspectiva dos estudos lexicais, em diferentes interfaces e a partir de diferentes dados. O primeiro trabalho trata da distinção entre polissemia e homonímia, revisando os testes já propostos na literatura e acrescentando a Teoria do Léxico Gerativo Pustejovsky (1995); o segundo trata da polissemia e da homonímia de afixos tanto derivacionais quanto flexionais e tem como uma das bases a abordagem léxico-morfológica de Mark Aronoff (2011); e o terceiro trata da estrutura de qualia, usada por Pustejovsky para explicar a desambiguação da polissemia em contexto, em contraste com a proposta semelhante de Julius Moravcsik (1990, 1998). " Como os três trabalhos lidam com a questão da polissemia, fica então marcado que a semântica lexical é o fio condutor que os amarra. Resumo #1Polissemia X homonímia: redefinindo conceitos para a classificação lexical A ambiguidade lexical, objeto de análise neste trabalho, pode ser vista no quadro dos processos de Indeterminação de Sentidos, e as teorias semânticas enfrentam problemas quando tratam de tais fenômenos da língua ligados à indeterminação. O problema a ser questionado é que há mais de um processo linguístico no quadro da indeterminação semântica – a vagueza, a polissemia e a homonímia – o que torna necessário um estudo que diferencie um processo de outro. Tal diferenciação se faz relevante, se considerarmos que, ao inserir um termo ambíguo no dicionário, uma das decisões a ser tomada diz respeito ao número de entradas lexicais, isto é, deve-se optar por uma única entrada lexical, quando não se caracteriza a homonímia, ou mais de uma entrada lexical, considerando a homonímia entre elas. Em função disso, o objetivo deste estudo é discutir os critérios que diferenciam a polissemia da vagueza e a polissemia da homonímia, observando o tratamento dado pelo dicionário no que se refere a esta última distinção. Visando ao cumprimento dessa proposta, inicialmente, expõe-se o quadro de Indeterminação de Sentidos, diferenciando os casos de vagueza dos casos de ambiguidade. Em sequência, definido o lugar da vagueza, passa-se a tratar especificamente da ambiguidade, buscando a diferenciação entre os casos de polissemia e homonímia. Para isso, busca-se uma revisão dos testes já postos na literatura por Pinkal (1995), que retoma o teste das condições de verdade (Quine, 1960) e o teste linguístico (Lakoff, 1970). Acrescenta-se ainda o teste proposto por Moura (2001) e o conceito de polissemia dado pela Teoria do Léxico Gerativo (Pustejovsk, 1998). A análise não pretende ser exaustiva e será realizada a partir de dois vocábulos, com o intuito de mostrar como tal discussão teórica pode contribuir para a reorganização dos dicionários. Resumo #2AFIXOS: POLISSEMIA E HOMONÍMIA A ambiguidade é um fato linguístico que pode ser verificado nos sistemas lexical, gramatical e interacional, desde o nível fonológico até o pragmático. Neste trabalho analisaremos a polissemia e a homonímia no nível morfológico, nos sistemas lexical e gramatical. No léxico a análise tomará como base afixos derivacionais a exemplo do polissêmico prefixo re-, e na gramática tomará como base afixos flexionais como o ambíguo sufixo -o, que pode funcionar tanto como marca número-pessoal, marca de particípio e vogal temática. Noutros casos, a exemplo do sufixo -dor, assumiremos ainda que o afixo realiza uma interface entre léxico e gramática: ao mesmo tempo em que ele é lexical, por poder derivar novas palavras, também pode ser interpretado como relacionado a propriedades léxico-gramaticais, a exemplo de estruturas de argumentos e de papéis temáticos. Como aportes teóricos serão usados trabalhos tais como as abordagens morfológicas de Katamba e Stonham (2006) e de Aronoff (2010) e a léxico-gramatical de Jackendoff (2002). Resumo #3Polissemia, estrutura qualia e esquema explicativo Para tratar da resolução da polissemia sistemática, Pustejovsky (1995) adotou a posição de que os itens lexicais carregam informações semânticas organizadas de maneira a gerar diferentes interpretações em contexto. Em sua Teoria do Léxico Gerativo, a desambiguação das polissemias é feita a partir de uma representação sub-especificada (ou, por vezes, sobre-especificada) dos itens lexicais que prevê como a interpretação será refinada por meio de fatores contextuais. Parte das informações necessárias para lidar com a polissemia estão agrupadas na estrutura qualia, que Pustejovsky explicitamente relaciona aos modos da explicação aristotélicos, mencionando também o uso que deles faz Julius Moravcsik (1990). O objetivo do presente trabalho é contrastar as duas abordagens para o significado lexical, a saber, a estrutura qualia, proposta por Pustejovsky, e o o esquema explicativo de Moravcsik (1990, 1998). Para isso, além de apresentar uma e outra proposta, e os pontos em comum que se originam da utilização das quatro causas aristotélicas, enfatizamos as diferenças entre elas. O interesse pelo tema é motivado pelo fato de que, em ambos os casos, prevê-se que a especificação final do significado é alcançada apenas em contexto. | |
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