A presente pesquisa investiga a aquisição de L2 a partir do arcabouço teórico-metodológico da sociolinguística variacionista (LABOV, 1972, TRUDGILL, 1974; POPLACK, 1980). O foco do estudo é a aquisição fonológica da lateral silábica do inglês L1 por aprendizes brasileiros (paraibanos) de inglês como LE. Como podemos constatar no comportamento linguístico daqueles aprendizes, o fenômeno em questão é variável; ora a forma alvo [ˈtɜːtɫ̩] (turtle) é produzida, ora ocorre como [ˈtɜːtəɫ̩], e, assim, afasta-se da forma mais comum e natural do inglês (CRYSTAL, 1995). Partindo então do princípio advindo dos trabalhos variacionistas com língua materna de que toda variação é sistemática e passível de sistematização (TARALLO, 1980), estendemos tal pressuposto, como sugere Bayley (2005), para investigação de aquisição de L2. Isto posto, temos como principal objetivo observar, sistematizar e analisar a variação fonológica na interlíngua de aprendizes de inglês como LE. Enquanto objetivos específicos pretendemos i) verificar as variáveis linguísticas e extralinguísticas as quais possam inibir ou favorecer a aquisição da forma alvo, ii) verificar o nível de transferência dos padrões fonológicos da língua materna (português brasileiro/dialeto paraibano) dos aprendizes para suas produções na língua alvo (inglês); iii) formular regras variáveis para o fenômeno. Nosso corpus conta com 12 informantes. Os dados foram gravados digitalmente, codificados e, posteriormente, analisados a partir do programa estatístico Goldvarb X (SANKOFF, TAGLIAMONTE & SMITH, 2005). Os resultados apontam para a significância do nível de proficiência, nível de consciência fonológica e contexto fonológico anterior (ponto de articulação) na escolha das variantes. Por enquanto, podemos concluir que tais resultados apontam para a sistematicidade da variação nas interlínguas, assim como em língua materna, e que a explicação para isto reside não somente em fatores puramente linguísticos.
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