S1. Análise de estruturas linguísticas - Sintaxe (Comunicações)

A MARIA PREPAROU O JANTAR PARA O JOÃO OU DO JOÃO: UM ESTUDO SOBRE AS PREPOSIÇÕES INTRODUTORAS DE OBJETO EM PORTUGUÊS BRASILEIRO.
ANA REGINA VAZ CALINDRO 1
1. USP - Universidade de São Paulo
arcalindro@gmail.com



As variantes europeia (PE) e brasileira (PB) do português diferem substancialmente tanto no âmbito lexical quanto sintático e semântico. Um dos aspectos em que as diferenças são expressivas é o das sentenças ditransitivas (cf. Torres-Morais 2007, 2012; Miguel, Gonçalves e Duarte, 2011). Neste trabalho, focaremos os casos em que essas construções são feitas com verbos de criação, tais como - pintar, construir, fazer, preparar - cujo objeto preposicionado pode ser introduzido pelas preposições para ou de em PB. Nessas sentenças, o OD sofre uma mudança de estado e o argumento preposicionado apresenta a semântica de beneficiário. Logo, nos termos de Marantz (2013), temos um núcleo aplicativo que é ao mesmo tempo alto e baixo, pois o argumento para / do João da mesma forma que recebe o OD (o jantar) também é beneficiado pelo fato da Maria tê-lo preparado. Sendo assim, a semântica da sentença é de aplicativo alto, porém a sintaxe é de aplicativo baixo, pois o verbo não seleciona dois argumentos distintos e, sim, a relação existente entre o OD e o objeto preposicionado (cf. Cuervo, 2010). Essa relação pode ser estabelecida apenas por categorias funcionais, como uma frase aplicativa, preposicional ou uma small clause. Uma vez que o PB, não apresenta núcleo aplicativo – pois perdeu a expressão morfológica do dativo (lhe) e a preposição a não é mais marcadora de Caso Dativo - essa variante tem apenas construções preposicionadas. Logo, para que essa relação estabelecida entre o objeto direto e o objeto preposicionado seja introduzida na estrutura argumental, trabalharemos com a proposta de que existe em PB um núcleo funcional PP - que chamaremos de “PP em camadas” (cf. Wood, 2012).


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