SURDEZ, LINGUAGEM E EDUCAÇÃO SUPERIOR A comunicação coordenada tem por finalidade apresentar e discutir as Políticas Lingüísticas das Línguas de Sinais que visam o orientar o acesso e a permanecia de pessoas surdas no Ensino Superior, no Brasil e Uruguai. Dentre os aspectos principais problematizará as barreiras de acessibilidade lingüística para surdos no exame vestibular, passando pela investigação das práticas de letramento de um grupo lingüístico minoritário, presente no Ensino Superior. Enfatizará então, o desenvolvimento das tecnologías diferenciadas em Língua de Sinais com vistas à (assim como, nas línguas orais e escritas) produção de um novo corpus textual nesta língua. Com os dados demonstrados, espera-se contribuir não só delinear os descritores das línguas de sinais - LSU, sem os quais não seria possível ensinar e/ou pensar sobre esta mas, sobretudo, refletir sobre o papel da lingüística aplicada na revisão das políticas de acessibilidade que orientam o acesso e a permanêcia de surdos na Universidade. Resumo #1Ensino Superior e as Políticas de acessibilidade no exame vestibular para
surdos As Instituições de Ensino Superior (IES) públicas atravessam um momento histórico-social desafiador. Tornar a educação superior igualmente acessível a todos que desejam cursá-la tem se constituído uma das metas principais dos que legislam sobre o direito básico do acesso à Educação. Para avaliar as políticas educacionais que visem a expansão de vagas e a democratização do ensino público a todos que concluíram o ensino médio, há que se considerar a participação de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, na universidade. Assim, este estudo objetiva revisitar as políticas que orientam o acesso de pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida no Ensino Superior. Dentre o público mencionado, interessa levantar as normativas norteiam o exame vestibular para as pessoas com surdez, usuárias da Língua Brasileira de Sinais - Libras. Tal estudo se efetivará a partir da identificação e análise das informações contidas nos manuais dos candidatos e, dos editais dos vestibulares de três universidades públicas, a saber: UNESP-SP, UFJF-SP e UFSC-SC. Por meio do levantamento das legislações vigentes pretende-se discutir as condições de inscrição e de atendimento diferenciado aos surdos no acesso às Instituições de Ensino Superior – IES. Com vistas a eliminação das barreiras que dificultam ingresso de pessoas com surdez na Universidade também problematizará as políticas e as diretrizes linguísticas para o uso da L1 (Libras) e do L2 (portuguesa escrita) no exame vestibular. Ao atuar em favor da promoção dos direitos humanos na Educação Superior, significará reconhecer que a acessibilidade é um princípio, um dever e uma questão de justiça social para todos, dentre os quais se inserem as pessoas com surdez. Resumo #2Letramento e surdez: apropriação da L2 por alunos surdos no ensino superior Assim como a escola, a universidade é uma das grandes agências de letramento. A maioria da população brasileira tem demonstrado um baixo grau de letramento e a entrada na universidade não garante o acesso a novas práticas. Se essa é a realidade dos alunos ouvintes, mais preocupante ainda é a situação dos alunos surdos. Nesse sentido questiona-se: quais dificuldades afetam dos surdos na universidade? De que forma suas práticas de letramento anteriores interferem no contexto de ensino/aprendizagem atuais? Como os alunos lidam com tais dificuldades? A partir dessas questões, o objetivo desse trabalho é analisar as práticas de letramento dos estudantes surdos e as implicações para o processo de inclusão na universidade. Como metodologia foi realizada uma pesquisa qualitativa que corresponde a entrevistas semiestruturadas para coletar informações sobre as práticas de letramento dos alunos, de suas famílias, e suas dificuldades atuais. Participaram dessa pesquisa quatro estudantes surdos, sendo dois oralizados e dois que têm a língua de sinais como primeira língua. Para a análise dos dados partimos de uma abordagem histórico-cultural (Rojo, 2010; Bakhtin, 1929/1981). Os resultados demonstram que os alunos surdos apresentam baixas práticas de letramento e dificuldades de produção e interpretação textual de gêneros secundários. Além disso, há prejuízos no que se relaciona a posição desses alunos enquanto autores e leitores, ou seja, eles não se sentem capazes de atender a demanda de letramento que se espera dos universitários. Há, ainda, a reprovação em disciplinas e, com isso, a ideia de abandono do curso pelas dificuldades que as práticas de gêneros secundários impõe é recorrente. Diante desses resultados, vê-se a importância de discutirmos melhor o letramento desses universitários para que esse estudo possa resultar em ações que se voltem para desenvolver possibilidades de escrita e leitura que promovam um processo de letramento mais efetivo para todos os alunos. Resumo #3Educación bilingüe de los sordos y tecnologías de lenguas: una relación conflictiva Se han desarrollado diversas tecnologías que se aplican a las lenguas orales. Probablemente la de mayor impacto es la escritura, base de la consolidación de las culturas letradas. Con el advenimiento de las culturas letradas y del contacto interlingüístico entre los pueblos, surgieron las tecnologías de gramatización (diccionarios y gramáticas descriptivas) que fueron factores decisivos en la estandarización de las mismas y en el desarrollo de técnicas de enseñanza de lengua y de traducción. En el siglo XX aparecen nuevas tecnologías de las lenguas: de registro (audio y videograbación), informáticas y de comunicación. Estas tecnologías imprimen formas diferentes de impacto sobre las lenguas, dado que, al potenciar nuevas formas de procesamiento metalingüístico, habilitan otras maneras de relacionamiento con la lengua y la textualidad. A diferencia de lo que ocurre con las lenguas orales, en Uruguay la LSU carece de un sistema de escritura que los sordos sientan apropiado para su representación. Asimismo, el uso de tecnologías de registro como sustituto de la escritura está teniendo un incipiente desarrollo. Por otra parte, y probablemente debido a lo antes mencionado, la LSU está escasamente gramatizada (se cuenta con dos diccionarios y una gramática descriptiva de muy reciente aparición). Teniendo en cuenta la situación de la LSU antes descripta, en el presente trabajo discutiré los problemas actuales por los que está atravesando la educación bilingüe en Uruguay, y señalaré la necesidad de que es imprescindible desarrollar tecnologías que permitan construir textos diferidos en LSU (sin necesidad del español escrito) para generar un importante cuerpo textual en dicha lengua; así como también desarrollar nuevos descriptores de dicha lengua, sin los cuales es casi imposible enseñar a pensar sobre ésta. | |
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