S3. Análise do Discurso (Comunicações)

ENUNCIAÇÃO E SUBJETIVIDADE EM GÊNEROS DISCURSIVOS ORAIS DA ESFERA RELIGIOSA: O SERMÃO EXPOSITIVO
PEDRO FARIAS FRANCELINO 1
1. UFPB - UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
pedrofrancelino@yahoo.com.br



Os enunciados produzidos na esfera religiosa de uso da língua caracterizam-se, a despeito de uma aparente homogeneidade ideológica e discursiva, por uma configuração dialógico-polifônica proveniente de uma densa tensão entre pontos de vista que se entrecruzam nesse espaço enunciativo. Este trabalho objetiva analisar enunciados do domínio discursivo religioso, mais particularmente o gênero sermão expositivo, buscando demonstrar como se dá a constitiuição do sujeito enunciador nessa esfera de interação social e refletindo sobre as formas de apreensão do discurso de outrem, considerando os mecanismos linguísticos e enunciativo-discursivos mobilizados pelo sujeito para a construção de sentido(s) nesses enunciados. Para fundamentação teórica, baseamo-nos no pensamento filosófico-linguístico de Bakhtin/Volochinov ([1926] 1976, [1929] 1999, [1930] 2005) e de Bakhtin ([1953] 2000), nos trabalhos advindos da Análise Dialógica do Discurso – ADD, representada, no Brasil, por Brait (1997, 2005, 2006 e 2009a), bem como em trabalhos desenvolvidos por outros estudiosos, tais como Faraco (2003, 2006), Francelino (2004, 2007) e Sobral (2009), dentre outros. A pesquisa é de natureza qualitativa e interpretativista e o corpus utilizado é composto de homílias papais, sermões expositivos e estudos bíblicos, produzidos por sacerdotes católicos e protestantes, cujo conteúdo quase sempre traz uma reflexão sobre um texto da Bíblia Sagrada, livro-texto do Cristianismo. Para este trabalho, recortamos como amostra apenas um sermão expositivo, cujos fragmentos serão analisados à luz do dispositivo teórico-analítico disponibilizado pelo aporte teórico da pesquisa. As análises evidenciam que mesmo se instaurando na ordem daquilo que Bakhtin (1983) considera como palavra autoritária, o discurso religioso concretizado no gênero sermão expositivo não se apresenta, em sua materialidade linguístico-enunciativa, como homogêneo ou até monofônico, mas deixa (entre)ver uma tessitura dialógico-polifônica que sustenta sua aparição, circulação e recepção nessa esfera de uso da linguagem.


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