DIALOGISMO NO GÊNERO DISCURSIVO PALESTRA DA ESFERA ACADÊMICA
PEDRO FARIAS FRANCELINO 1, MICHEL PRATINI BERNARDO DA SILVA 1, MARIA DO SOCORRO LIMA DOS SANTOS 1 1. UFPB - Universidade Federal da Paraíba, 2. UFPB - UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA mchel_pbs@hotmail.com |
Segundo Mikhail Bakhtin, o emprego da língua dá-se por meio de enunciados concretos e completos que se materializam em uma determinada esfera discursiva, ou seja, em determinado campo de atividade humana. Esses espaços discursivos, que se caracterizam por desenvolver seus tipos relativamente estáveis de enunciados, apresentam uma grande dimensão dialógica, o que implica dizer que, ao enunciar, o sujeito locutor leva em consideração o discurso de outrem, isto é, seu discurso é atravessado por vozes alheias, provenientes da relação com o(s) seu(s) interlocutor(es) e dos discursos sócio-históricos com os quais tem contato. Com base nas considerações expostas, objetivamos investigar como ocorrem as relações dialógicas em uma palestra da esfera discursiva acadêmica, bem como mostrar os elementos linguísticos utilizados pelo sujeito enunciador no fio do discurso para mobilizar as vozes de outrem. A palestra acadêmica, gênero analisado neste trabalho, caracteriza-se por um tipo de enunciado oral pouco explorado do ponto de vista da perspectiva enunciativo-discursiva da linguagem. A pesquisa é de natureza qualitativa/interpretativista e tem como pressupostos teórico-metodológicos a Teoria da Enunciação de Bakhtin (1993, 2000, 2005) e Volochínov ([1926] 1976, 1999), a Análise Dialógica do Discurso – ADD – proposta por Brait (1997, 2005, 2006), bem como os trabalhos desenvolvidos por Faraco (2001 e 2003) e outros estudiosos do Círculo de Bakhtin. Um olhar preliminar sobre os dados revela que o gênero palestra é marcado por uma pluralidade ideológica e por uma heterogeneidade discursiva cujo embate de vozes deixa entrever, na materialidade linguístico-enunciativa, a configuração dialógica desse gênero.
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