O objetivo deste trabalho é contribuir para uma teoria dos verbos auxiliares, apontando propriedades podem ser tomadas como características universais dessa classe de palavras. Para tanto, desenvolvo uma análise para os auxiliares que visa capturar tanto a sua natureza verbal quanto a sua especificidade dentro da classe dos verbos. O trabalho toma como arcabouço teórico a versão minimalista da Teoria Gerativa (Chomsky 1995) e usa o sistema de valoração de traços por Agree (Chomsky 2000, 2001, 2008). A hipótese geral do trabalho é a de que duas propriedades definem os auxiliares. A primeira propriedade tem a ver com sua natureza categorial: auxiliares são verbos (Ross 1969) que, na derivação, são inseridos como núcleos funcionais (Cinque 1999, 2006; Biberauer & Roberts 2009; Bosque & Gallego 2011). A segunda propriedade dos auxiliares diz respeito ao seu conteúdo: seguindo Pesetsky & Torrego (2006) e Chomsky (2008), para quem a operação Merge é guiada por Agree, proponho que esses verbos trazem para a derivação um traço de seleção [uV] (Kelly 2006, Biberauer & Roberts 2009, Panagiotidis 2011). Apresentadas as propriedades que definem um verbo como um auxiliar, discuto como a valoração do traço [uV] interage com a extensão do movimento do verbo nas línguas e com a noção de Fase (Chomsky 2000, 2001, 2008). O objetivo dessa discussão é ilustrar como, a partir dessa interação, pode resultar um conjunto de possíveis sistemas de complementação de auxiliares. Na parte final do trabalho, descrevo, na perspectiva de análise proposta, o sistema de verbos auxiliares do português. Primeiramente, apresento os critérios de auxiliaridade já propostos na extensa literatura sobre o tema. Em seguida, analiso, de maneira pormenorizada, esses critérios e mostro como eles podem ser reinterpretados como reflexo das propriedades gerais da classe dos verbos auxiliares. Por fim, defino quais são os verbos auxiliares dessa língua.
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