P9. Historiografia Linguística (Comunicações dentro de Projetos)

A PRODUÇÃO GRAMATICAL QUÉCHUA EM PERSPECTIVA HISTORIOGRÁFICA (SÉCS. XVI-XIX)
ROBERTA RAGI 1, ROBERTA RAGI 1
1. USP - UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
robertaragi@gmail.com



O objetivo deste trabalho é analisar a produção gramatical quéchua, compreendida entre os séculos XVI e XIX, identificando o programa de investigação - a visão, a focalização e a técnica - que fundamenta os trabalhos linguísticos em questão (cf. Swiggers, 2004). Os autores selecionados para este estudo são os seguintes: Santo Tomás (1560); Anônimo (1586); González Holguín (1607); Huerta (1616); Torres Rubio (1619); Roxo Mexia y Ocón (1648); Aguilar (1690); Melgar (1691); Nieto Polo (1753); Mossi (1857); Montaño (1864); Nodal (1872); Anchorena (1874); Mossi (1889); Paris (1892); Grimm (1896). No que concerne ao projeto gramatical dos autores, examinaremos: a concepção de língua e o objetivo geral que alimentam os trabalhos empreendidos (visão); os recortes temáticos e documentais tratados como prioridade em cada texto gramatical (focalização); e a metodologia específica que se desenha em cada contexto (técnica). Desse modo, poderemos associar as gramáticas analisadas a um dos programas de investigação propostos por Swiggers (2004): ao programa de investigação descritivista, ou ao programa de correspondência. De fato, a periodização fixada para este estudo inclui produções gramaticais gestadas no período colonial e na fase republicana e evidencia continuidades e descontinuidades descritivas e metodológicas relativamente aos materiais selecionados. No contexto da Historiografia Linguística, busca-se identificar, para cada projeto gramatical em questão, duas diretrizes linguísticas essenciais: de um lado, aquela que conserva a tradição das técnicas gramaticais do Humanismo, a exemplo de Nebrija ([1488]1996) - como o tratamento normativo para o método das oito partes da oração; de outro, aquela que propõe renovação das abordagens linguísticas apresentadas - como o método das três partes do discurso, indicado no texto gramatical de 1872. NEBRIJA, Antonio de. [1488]1996. Introduciones latinas contrapuesto el romance al latín. Münster: Nodus Publikationen. SWIGGERS, Pierre. 2004. Modelos, métodos y problemas en la historiografía de la lingüística. Madrid: Editorial Arco/Libros.


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