S3. Análise do Discurso (Comunicações)

A GOVERNAMENTALIDADE E O SABER/PODER: LEITURAS PELO OLHAR
VALÉRIA CRISTINA DE OLIVEIRA 1
1. UEM - Universidade Estadual de Maringá
rdocardoso@uol.com.br



O presente trabalho parte de um percurso arqueogenealógico subsidiado pelos conceitos de governamentalidade e biopolítica eligidos por Foucault (2005), (1982), (1988), (2011), (2012), além dessas obras, apoia-se ainda em Burke (2004), Nichols (2012) e Gauthier (2011) para nos perguntar como as relações sociais em transição para o modernismo, pautadas pela governamentalidade, no início do século XX, no evento denominado Guerra do Contestado (1912-1916), produziram pela biopolítica técnicas de poder/saber que disciplinaram e que controlaram as condutas das pessoas naquele momento e que parecem se estender para atualidade? Com o percurso teórico-analítico estabelecido para o estudo em questão recorremos ao filme-documentário “Meninos do Contestado” de Leonêncio Nossa e Celso Júnior, produzido em 2012, pela TV Estadão, em homenagem aos cem anos do Contestado. Sob tal conjuntura nosso objetivo é o de descrever especificamente tanto as práticas fílmicas do close sobre o olhar de três “testemunhas”, personagens do documentário e do fato historiográfico da Guerra do Contestado, quanto buscar compreender como tais práticas, que tratam da história do presente ligadas às linguagens imagéticas, inscrevem os sujeitos em um espaço de “verdades” e de legitimação. Consideramos inicialmente essas práticas como produtoras de um conjunto de técnicas de poder, que por sua vez produzem saberes e estes “verdades de uma época”, as quais obedecem a certas ordens discursivas que se inscrevem em qualquer tempo e que são enunciadas em lugar de outras, entendemos, por esse viés que os discursos imagéticos analisados no documentário “Meninos do Contestado” apresentam condutas assujeitadas que na visibilidade da tela estão em outra época, numa agência da biopolítica moldando seus comportamentos e suas memórias, mas que na atualidade talvez se apresentem sob novas ordens, novas “verdades”, novos discursos surgidos no lugar de outros. Palavras-chave: saber/poder, testemunhas, governamentalidade/biopolítica.


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