Este trabalho irá abordar algumas implicações discursivas/políticas decorrentes do uso do termo “cisgênero” através da aplicação do referencial teórico da semântica da enunciação e análise do discurso. O referido termo tem sido utilizado pela corrente feminista denominada transfeminista como uma categoria analítica. O Transfeminismo se propõe um feminismo intersecional relativo às questões das pessoas/mulheres transgêneras (travestis, transexuais, dentre outras identidades). Para a análise, devemos levar em consideração, como aponta Guimarães (2005), para os processos de designação enquanto significação de um nome como algo próprio das relações da linguagem, remetido ao real, exposto ao real e com sua relação na história. Desta forma, pretende-se compreender como a palavra cisgênero é capaz de produzir discursos de resistência contra a matriz cisnormativa ao se nomear as pessoas "não-trans". Esta matriz normativa é entendida enquanto as normas de gênero que orientam para a cisgeneridade compulsória e a marginalização das identidades transgêneras. Em contraponto ao(s) discurso(s) transfeminista(s), encontra-se a resistência e a rejeição do uso do termo cisgênero tanto enquanto categoria analítica quanto enquanto estratégia política, em destaque para alguma(s) vertente(s) feminista(s) denominada(s) “feminismo radical”. Esta(s) corrente(s) acredita(m) que o feminismo deve privilegiar a visibilidade/empoderamento das ditas "mulheres nascidas mulheres". Desta forma, devemos compreender quais posições-sujeito são tencionadas através destes discursos (trans)feministas, relacionando as diversas formas de sentido que vão sendo produzidas e deslocadas, em especial em relação aos termos homens e mulheres.
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