S8. Linguística Aplicada  (Comunicações)

AQUISIÇÃO DE UMA SEGUNDA LÍNGUA POR SURDOS: MUITAS QUESTÕES E ALGUMAS RESPOSTAS
WANILDA MARIA ALVES CAVALCANTI 1
1. UNICAP - Universidade Católica de Pernambuco
wanildamaria@yahoo..com



Ainda é possível afirmar que a maioria dos estudos na área da linguística tem tratado sobre falantes que geralmente dominam, usam ou aprendem uma única língua. Não pretendemos aqui apresentar dados inovadores, o que queremos trazer é uma discussão sobre alguns temas que circulam a aquisição de uma segunda língua por surdos em um contexto escolar. O professor é colocado diante de um desafio para compreender e procurar algumas respostas para diferentes situações em que surdos desenvolvem o seu conhecimento sobre a L2, atendendo a motivações individuais e outras especificidades decorrentes da relação entre a L1 e L2, em um contexto bilingue. Estudos realizados mostram que no caso de surdos ainda que haja diferenças consideráveis entre a aquisição da L1 e L2, há proximidade entre os dois processos uma vez que apresentam paralelismos evidentes. O aporte teórico empregado conta com contribuições de Quadros e Schmiedt (2007), Souza e Silvestre (2007), Viotti (2010) Lodi et al (2012). Consideramos que falantes de L2 já tiveram acesso a uma primeira língua o que não podemos afirmar ter ocorrido com surdos filhos de pais ouvintes. Nessa circunstância e trazendo o contexto escolar marcado por um ensino conservador, ainda hegemônico mostra que precisamos discuti-lo e transformá-lo para que cumpra sua função política na sociedade com suas complexas demandas e diferenças. Em se tratando do ensino de Português para surdos (L2), qualquer que seja o nível de ensino, o desconhecimento de peculiaridades que o ensino dessa língua se reveste repercutirá na produção de textos escritos por eles. Em caso contrário, o sucesso dessa produção pode ser atribuído sobremaneira aos “inputs” a que será exposto. Nesse sentido, quanto mais o professor inserir o aprendiz na situação, quanto mais “insumos”, isto é, quanto mais contextos linguísticos e situações extralinguísticas forem fornecidos ao aprendiz, melhor será o resultado.


125