Diferentes modelos de tradução têm atualmente norteado as escolhas linguísticas adotadas pelos tradutores. Algumas traduções são mais literais, outras são mais livres. A opção por um desses modelos dependerá de vários aspectos contextuais, tais como o ambiente em que o texto é produzido, o papel dos participantes na interação, a funcionalidade do texto para o leitor ao qual se destina, entre outros. No campo da tradução bíblica, observa-se que há, na atualidade, diversas traduções sendo veiculadas. E, dentre elas, há versões em que se adota um enfoque mais literal e versões em que se opta por um enfoque mais livre. Traduções da Bíblia mais literais fazem uso de uma linguagem própria do domínio religioso, valendo-se de estruturas linguísticas e termos que fazem parte da consciência linguística da comunidade. Em contrapartida, traduções livres ou paráfrases da Bíblia fazem uso de uma linguagem distanciada desse registro, a qual é qualificada pelo(s) tradutor(es) como linguagem corrente ou próxima da língua falada. Diante disso, à luz das propostas funcionalistas de estudo da linguagem e da tradução, e por meio de uma análise comparativa de traduções bíblicas em lingua portuguesa, pretende-se avaliar as diferenças entre esses modelos de tradução, analisando, sobretudo, as estratégias linguístico-discursivas usadas pelo(s) tradutor(es) e o modo como se estabelecem as relações contextuais e situacionais circunscritas no domínio religioso. Entende-se que o fato de a tradução bíblica produzir diferentes significações nos diferentes contextos em que se insere e nas diferentes formas em que se apresenta conduz a uma reflexão sobre questões teóricas quanto à tensão entre literal e livre e quanto ao conceito de registro como um elemento significativo para o estudo da linguagem em situações reais de uso.
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