P9. Historiografia Linguística (Comunicações dentro de Projetos)

AS CONCEPÇÕES DE FAZER CIENTÍFICO PRESENTES NOS PENSAMENTOS DE N. CHOMSKY E B. F. SKINNER: UM ESTUDO HISTÓRICO E EPISTEMOLÓGICO DA CIÊNCIA LINGUÍSTICA
TAÍS BOPP DA SILVA 1
1. UFPEL - Universidade Federal de Pelotas
taisbopp@gmail.com



O presente trabalho focaliza um dos momentos históricos de maior importância para a ciência linguística: o do surgimento da teoria gerativa, na década de 1950. É conhecido o embate acontecido em 1959, quando N. Chomsky publica uma resenha em que contesta a obra "Verbal Behavior" (1957), de B. F. Skinner, que propõe uma análise da linguagem baseada no comportamento operante. Skinner (1957), com a noção de operante, estabelece que os comportamentos, e entre eles o comportamento verbal, são produtos unicamente da interação do homem com o contexto. Chomsky, por sua vez, tendo em vista a complexidade da linguagem, contesta a proposta de Skinner, defendendo a existência de um componente mental mediador entre os dados captados e os dados produzidos pelo falante. Este histórico debate já conta mais de cinquenta anos e parece ter perdido a relevância para os linguistas, que o relembram, mas não o discutem mais em profundidade. Acreditamos que, com o desenvolvimento das teorias linguísticas que destacam a importância do contexto social, esse debate merece ser renovado. O trabalho que ora propomos é parte de uma pesquisa maior que tem um objetivo de cunho teórico, qual seja de verificar as aproximações entre a teoria comportamental e as teorias linguísticas, além de um objetivo historiográfico, na medida em que busca registrar e problematizar um momento de ruptura epistemológica, encabeçada por um dos maiores nomes da ciência linguística. Como objetivo específico, buscamos contextualizar o referido debate, apresentando as concepções de fazer científico subjacentes às teorias comportamentais e cognitivas. A pesquisa, que se encontra em andamento, aponta, como conclusão parcial, para a necessidade de se compreender cada uma das correntes de pensamento como algo heterogêneo. O comportamentalismo, por exemplo, ora se aproxima das concepções da física, ora da biologia e isso, acreditamos, reflete diretamente no modo como a linguagem é concebida.


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