P24. A Morfologia e suas Interfaces (Comunicações dentro de Projetos)

HETEROSSEMIA NA INTERFACE SEMÂNTICA-MORFOLOGIA
JANDERSON LUIZ LEMOS DE SOUZA 1,2
1. UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo, 2. NEMP - Núcleo de Estudos Morfossemânticos do Português
janderson.souza@unifesp.br



O projeto “Morfologia e suas interfaces” vem ao encontro das atividades desenvolvidas pelo Núcleo de Estudos Morfossemânticos do Português (NEMP), dedicado à interface Morfologia-Semântica. Tal interface é explorada do ponto de vista da Linguística Cognitiva, que tem como pressuposto fundamental a motivação semântica da gramática, razão por que faz mais sentido falar da interface Semântica-Morfologia. Desse ponto de vista, a própria noção de formação de palavras, concebida pelo lexicalismo gerativo como processos que se desdobram em regras de natureza algorítmica, pressupõe que se trata de um fenômeno morfológico sensível ao fator semântico, enquanto, do ponto de vista cognitivista, a formação de palavras consiste num fenômeno semântico com repercussão morfológica. Os fenômenos de forma – fonológicos, morfológicos e sintáticos – são epifenômenos, materializações da motivação semântica. O refinamento dessa perspectiva reorienta a tarefa do linguista da classificação de formas à identificação dos mecanismos cognitivos – concebidos como figurativos e não modulares – que se manifestam nos componentes da gramática, um dos quais a morfologia. Na comunicação que proponho, tenho, como objetivo geral, caracterizar a pesquisa em morfologia dentro de um modelo baseado no uso como a Linguística Cognitiva e, como objetivos específicos, esclarecer em que medida a heterossemia pode ser considerada como motivação semântica para a distribuição de formas em classes, especialmente as classes preposição e prefixo, e como fator de organização da polissemia; e rever a discussão sobre o lugar da prefixação na derivação ou na composição.


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