Neste trabalho – tendo em vista a importância do tema nas pesquisas sobre a constituição histórica do português brasileiro (PB) (LOPES, 1998; 2007; 2011; 2012; 2013) – é focalizado o quadro de pronomes pessoais, com o objetivo de traçar seu panorama no português popular oral de comunidades rurais da Bahia, identificando os contextos de uso das diferentes formas, em função de sujeito e de complemento. Foram consideradas, na metodologia, amostras de língua falada em Piabas, da zona de Anselino da Fonseca; de Barra/Bananal e Mato Grosso, da zona de Rio de Contas; de Matinha, da zona de Feira de Santana; de Casinhas, Tapera e Lagoa do Inácio, da zona de Jeremoabo (ALMEIDA; CARNEIRO, 2008). A escolha dessas amostras (década de 90) – que fazem parte do projeto A Língua Portuguesa no Semi-árido Baiano (www.uefs.br/nelp) – se justifica pelo fato de que o estudo vertical das variantes populares do PB é uma vertente importante de pesquisa para a recuperação do português popular brasileiro, cujo antecedente histórico é o “português geral brasileiro”, constituído do encontro multilíngue da população indígena, do português e da população de origem africana (MATTOS E SILVA, 2001). Das amostras foram extraídos, aproximadamente, 500 dados, analisados de acordo com os princípios da Sociolinguística Quantitativa (LABOV, 1994), com o apoio do software Goldvarb X. Os resultados mostram que as formas dos paradigmas pronominais são semelhantes nas comunidades estudadas, não havendo diferença entre as comunidades marcadas etnicamente como afrodescendentes e as comunidades mestiças de portugueses.
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