S3. Análise do Discurso (Comunicações)

SUBJETIVIDADE E INTERSUBJETIVIDADE: LÍNGUA E DIÁLOGO
KARINA GIACOMELLI 1, ADAIL UBIRAJARA SOBRAL 2
1. UFPEL - Universidade Federal de Pelotas, 2. UCPEL - Universidade Católica de Pelotas
karina.giacomelli@gmail.com



Ente trabalho, de cunho teórico, situado no âmbito das abordagens enunciativas, tem por objetivo articular as noções de enunciação em Bakhtin e Benveniste, recorrendo, para isso, a uma distinção, na teoria deste último, entre uma concepção de enunciação em sentido restrito e uma em sentido amplo. Aquela se interessa pela presença do locutor no interior de seu enunciado, no que foi denominado subjetividade na linguagem, ou seja, os índices materiais de inscrição do sujeito da enunciação no enunciado. Por outro lado, a enunciação em sentido amplo objetiva descrever as relações entre os enunciados e os diferentes elementos do quadro enunciativo: protagonistas do discurso, situação de comunicação e condições gerais da produção/recepção de mensagens. Trata-se de fatos enunciativos que permitem ao locutor apropriar-se do aparato da enunciação e organizar o conjunto do espaço discursivo, e que configuram o denominado “aparelho formal da enunciação”, que engloba as condições de emprego da língua. Dessa última perspectiva é que se torna possível aproximar os autores considerados, na medida em que o quadro figurativo da enunciação em Benveniste é caracterizado pela acentuação da relação discursiva com o parceiro, seja este real ou imaginado, individual ou coletivo e na medida em que Bakhtin propõe que o enunciado se define por ser “endereçado” por um locutor a um interlocutor real ou presumido. Dos desdobramentos que decorrem da ideia de diálogo - desenvolvidos por Bakhtin, mas não por Benveniste - é que se configuram as diferenças entre eles. Não obstante, defendemos que, na concepção do aparelho formal, a noção restrita do sujeito indicial amplia-se em um sujeito posicionado no espaço de uma língua tomada como discurso, no qual duas figuras estão na posição de parceiros, o que possibilita uma aproximação com a concepção dialógica de Bakhtin.


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