Este trabalho analisa a posição do sujeito (anteposto e posposto) e estuda a mudança linguística que ocorreu na virada do século XIX para o século XX. Segundo Tarallo (1993), o Português Brasileiro começou a se diferenciar do Português Europeu, devido às mudanças que ocorreram no paradigma pronominal, acarretando mudanças na expressão de sujeitos, na ordem dos constituintes, dentre outros.
Valle de Souza (2012), analisando a posição do sujeito em cartas do século XIX e XX, aponta para a existência de duas gramáticas: uma característica das missivas dos remetentes do gênero masculino em que a ordem VS é condicionada por fatores “discursivos” e gramaticais; e outra gramática característica das missivas das remetentes do gênero feminino em que a ordem VS está restrita em construções com verbos inacusativos.
Assim, objetivamos analisar a posição do sujeito em cartas do século XX, a fim de detectar (i) aspectos da gramática brasileira (Kato, Cyrino, Duarte, Berlinck, 2006), (ii) padrões sociais que possam interferir na ordem da posição do sujeito e (iii) um caso de competição entre gramáticas (Kroch, 1989). Observamos fatores linguísticos e sociais como condicionadores para a preferência de uma determinada ordem em relação à outra, por acreditamos que haja diferença na maneira dos indivíduos se expressarem. Utilizamos um corpus composto por 31 cartas pessoais, enviadas entre 1919 e 1942 da família Pedreira Ferraz Magalhães, e escritas pelos irmãos Fernando Pedreira de Abreu Magalhães (professor, missionário, nascido em 1893) e Maria Elisa Pedreira de Abreu Magalhães (Irmã da Congregação Santa Dorotéia, nascida em 1877), pertencentes ao Corpus Compartilhado Diacrônico, disponível em: http://www.letras.ufrj.br/laborhistorico/. Utilizamos o programa Goldvarb X para análises estatísticas.
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