S16. Semiótica  (Comunicações)

QUANDO O “SÓ MAIS” É “SÓ MAIS” MESMO
PAULA MARTINS DE SOUZA 1
1. USP - Universidade de São Paulo
paulamartins@usp.br



Em "Um Comedor de Ópio”, Charles Baudelaire faz um comentário resumitivo da obra Confessions of an English Opium-Eater. Being an extract from the life of a scholar (1821) de Thomas De Quincey. No comentário, ao acompanhar o programa narrativo do sujeito rumo a seu objeto, observa-se um percurso que parte praticamente da extenuação do sujeito da busca até alcançar um estado de excesso insustentável, em que há só mais. No capítulo intitulado “Volúpias do Ópio”, ao explanar a respeito do valor do objeto, Baudelaire traz à baila uma comparação do comedor de ópio entre o estado do usuário de álcool e o do usuário de ópio em termos praticamente valenciais: aquele seria agudo, ao passo que este seria crônico. Nesta comunicação, busca-se demonstrar, por meio desse cotejo entre as resultantes dos dois tipo de narcóticos, uma diferença de significação relevante entre o estado de só mais chamado de “agudo” por Baudelaire, que implica apenas a dimensão da intensidade – valores de absoluto – e um estado de só mais chamado de “crônico”, que implica as duas dimensões – valores de absoluto e de universo.


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