Este trabalho pretende apresentar alguns fenômenos linguísticos presentes em um texto português da metade do século XVIII, manuscrito inédito intitulado “Diário do Embaixador”, de autoria coletiva e de inestimável valor para a linguística e a filologia histórica, no que tange à evolução das peculiaridades morfológicas e sintáticas da língua portuguesa. Trata-se de um relato de viagem, entre fevereiro de 1752 e agosto de 1755, sob o comando do Embaixador Diogo Baduem da Serra, cujo intuito era verificar como fluía o processo de difusão da religião cristã, pelos portugueses, no mundo oriental: China. Depois de Macau, a viagem estendeu-se para Moçambique e, finalmente, para o Rio de Janeiro. Essa aventura marítima foi narrada com detalhes realistas de vários cronistas, com rico vocabulário no campo técnico da arte da navegação, na indicação dos pontos de localização, nas descrições geográficas dos locais visitados, nas descrições de problemas de locomoção, nas descrições de tipos físicos e de costumes culturais, de indumentária e de idiossincrasias linguísticas. O manuscrito também apresenta rica linguagem iconográfica, além de oferecer um texto em latim. Como afirma o grande linguista alemão Hermann Paul, “não há outro estudo científico da língua senão o histórico”.
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