Diversos autores mostraram que, no espanhol atual, o fronteamento de constituintes (XP-Verbo) na tematização é mais restrito que na focalização além do fato de que, quando o complemento do verbo é neutro, a ordem O-V é impedida. Por outro lado, no espanhol antigo, se mostra que não havia contraste entre as funções informativas envolvidas no fronteamento de constituintes permitindo inclusive a ordem O-V em contextos neutros, o que, entre outros aspectos (tais como a ordem Auxiliar/Modal-Sujeito-Verbo Principal e construções de object shift), caracterizava o espanhol antigo como uma língua V2 semelhante a algumas línguas germânicas atuais. Neste trabalho, retomo a discussão das diferenças na posição pré-verbal, que assumo estar localizada na periferia esquerda, nas duas fases do espanhol europeu a fim de mostrar o que as distingue com relação às possibilidades de fronteamento de constituintes. Primeiro, apresento empiricamente as diferenças com respeito à ordem XP-V nas duas fases da língua; em seguida, apresento o que entendo como língua V2 e justifico por que o espanhol antigo pode ser assim caracterizado; na seqüência, apresento a noção de operador que assumo, que é o elemento que vai diferenciar as duas fases da língua; por fim, explico formalmente as diferenças empíricas à luz dos conceitos e fenômenos apresentados nas seções anteriores. A conclusão do trabalho é que a diferença entre as duas fases da língua reside no fato de que, no espanhol antigo, devido à propriedade V2, que disponibilizava um traço EPP em FinP, qualquer constituinte poderia ocupar a primeira posição da estrutura já que esse constituinte era movido para esta posição caracterizando-se como um operador; no espanhol atual, como a propriedade V2 não é encontrada, não disponibilizando um traço EPP em FinP, somente elementos focalizados são caracterizados como operadores, o que restringe a possibilidade de complementos verbais em posição pré-verbal.
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