Este trabalho tem por objetivo demonstrar que o reconhecimento de produtos gráficos elaborados em níveis incipientes de aquisição da escrita é realizado pelo controle de algumas marcas de inabilidade em escrita alfabética. Para a Linguística Histórica, a escrita por “mãos inábeis” tem especial relevância, considerando-se a dificuldade de encontrar textos que refletem a escrita cotidiana, vernacular, produtos de grupos sociais subalternos, indivíduos pouco escolarizados. Para identificar as marcas de inabilidade de escrita manifestadas nos textos, tanto aquelas próprias à escriptualidade como aquelas próprias à oralidade, realiza-se a descrição de um conjunto de propriedades, ou seja, de alguns aspectos no plano supragráfico e da grafação; aspectos de aquisição da escrita e os do plano da escrita fonética. Essa descrição baseia-se nos trabalhos de Marquilhas (2000), Barbosa (1999), Oliveira (2006) e Santiago (2012). Pretende-se, assim, contribuir com a formação de corpora histórico-diacrônicos, para uso pelas equipes nacionais do Projeto Nacional Para a História do Português Brasileiro (PHPB), coordenado por Ataliba de Castilho, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), via equipe baiana, ou PHPB-BA, coordenada por Tânia Conceição Freire Lobo, da UFBA. É um estudo desenvolvido no âmbito do projeto CE-DOHS - Corpus Eletrônico de Documentos Históricos do Sertão, da UEFS, disponível em www.uefs.br/cedohs, coordenado por Zenaide de Oliveira Novais Carneiro.
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