Levando em consideração os aspectos universais e particulares da composição levantados pelos trabalhos de cunho tipológico e taxonômico (cf. GUEVARA; SCALISE, 2009, SCALISE; BISETTO, 2009, BAUER, 2009), buscamos explicar como a formação dos compostos se processa como parte da linguagem humana. Adotando o Princípio da Uniformidade, delineado por Chomsky (2001), partimos da visão de que a formação dos compostos nas línguas naturais ocorre de modo uniforme e a sua variação superficial é devida ao componente fonológico.
Assumindo uma visão de gramática sintaticocêntrica, a Morfologia Distribuída (cf. HALLE; MARANTZ, 1993), e adotando um posicionamento de morfologia-como-sintaxe, elencamos quais são as informações mínimas a que o componente sintático deve ter acesso a fim de gerar um composto. Contrariamente aos núcleos funcionais sugeridos por Di Sciullo (2009), propomos que a característica unificadora dos compostos é a formação de um domínio categorial acima de uma combinação entre núcleos complexos, de acordo com a seguinte hipótese:
Hipótese do Domínio da Composição
"Um composto é formado quando a combinação de dois núcleos complexos, em determinada relação sintática – seja ela, subordinação, atribuição ou coordenação –, é recategorizada por um núcleo definidor de categoria n, v ou a".
Essa hipótese congrega as duas informações mínimas para a formação de um composto, a saber: (i) o estabelecimento de uma relação gramatical, a qual é fornecida pela natureza da operação Merge, e (ii) a recategorização desse complexo formado, a qual consegue explicar um conjunto de problemas relacionados à composição, tais como problemas de projeção, de exocentricidade morfológica e de adição de estrutura argumental.
Como resultado, mostramos que a combinação entre os constituintes de um composto decorre dos princípios gerais presentes no componente sintático, ao passo que sua realização, seja ela como uma combinação de radicais ou de palavras, é resultado de sua externalização, e, portanto, está a cargo do componente fonológico.
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