S1. Análise de estruturas linguísticas - Morfologia (Comunicações)

CLASSE DE PALAVRAS NA LIBRAS: UM ESTUDO DOS MORFEMAS BOCA
ALINE GARCIA RODERO TAKAHIRA 1
1. USP - Universidade de São Paulo
alinegr@usp.br



A distribuição de palavras em classes de palavras foi muito pouco explorada na libras. Há línguas de sinais, como a ASL, nas quais alguns pares nomes-verbos são diferenciados pelo tipo de Movimento (M) que apresentam (Supalla & Newport, 1978). Braeme & Sutton-Spence (2001) consideram padrões de boca nas LSs: “visemas” e morfemas boca. Os primeiros são palavras emprestadas ou derivadas da língua falada, a boca pode reproduzir articulação da língua oral junto com a sinalização; os últimos são formados internamente, nas comunidades sinalizantes, ou seja, não possuem relação com o movimento de boca das LOs. O objetivo deste trabalho é investigar se na Libras padrões de boca distinguem nomes e verbos. Através da análise de gravações realizadas com indivíduos Surdos, em contexto natural, pudemos observar a ocorrência do morfema boca MM (realizado com a boca fechada e levemente apertada) em muitos dos verbos pesquisados. Esse morfema boca não é um sinal porque não pode ser realizado sozinho, mas tem um valor adverbial, de forma que se anexa a verbos, o que pode ser uma pista para a identificação da categoria gramatical de alguns elementos em pares nome-verbo. A ocorrência desse morfema boca não é obrigatória, então, esse critério não deve ser exclusivamente assumido. Não observamos nenhuma ocorrência de visemas com verbos. No entanto, é bem grande a variação que observamos no uso (ou não) dos visemas nos nomes. Isso nos mostra que a ocorrência de visemas com a sinalização também serve apenas como pista para se identificar a categoria gramatical de alguns sinais. Levantamos a hipótese que o morfema MM, quando realizado, ocorre em uma posição de categorizador, marcando verbos, atividades. Nesses casos, então, o traço de [+E] mapeia na sintaxe o local onde o item de vocabulário MM vai ser inserido pós-sintaticamente, seguindo o aparato teórico da Morfologia Distribuída.


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