S1. Análise de estruturas linguísticas - Pragmática (Comunicações)

SUBVERSÃO DE GÊNEROS: UM MODO DE DIZER, UM MODO DE SER?
MARCO ANTÔNIO DOMINGUES SANTANNA 1
1. UNESP/FCLASSIS - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - FAC. DE CIÊNCIAS E LETRAS DE ASSIS
marco_santanna@hotmail.com



Propomo-nos verificar a pertinência da hipótese da hipótese sobre a existência de um inter- relação entre os conceitos de subversão de gêneros, cenografia e posicionamento, a partir do estudo do corpus de Lucas 10: 25-37. Nesse caso, um dos enunciadores assume e busca a adesão a um modo de ser, através de uma oposição entre um diálogo racional e um diálogo emocional, instaurada por meio de um investimento genérico específico. Cabe-nos esclarecer que procederemos nossa discussão sob a perspectiva da Análise do Discurso, na linha de Maingueneau, que associa uma organização textual e um lugar social determinados, relacionando-se, portanto, de maneira privilegiada com os gêneros do discurso. Nosso foco incidirá na análise da mudança do curso da enunciação, como uma possibilidade de subversão genérica, promovida pelo co-enunciador, com a finalidade de marcar seu posicionamento ético, a partir de sinais emitidos pelo seu ouvinte. Num dado ponto da radicalização de um diálogo tipicamente racional, surgem-nos as seguintes questões: realmente há uma subversão do gêneros dialético da disputa, com a instalação de um diálogo emocional, por meio da parábola? Ocorre, de fato, uma quebra do contrato de comunicação? A resposta de um dos enunciadores, fornecida não por meio de argumentações e refutações – típicos da disputa dialética – mas sim por meio de um discurso parabólico constitui uma forma de organização diferente da anterior? Essa forma apresenta marcas formais características? Existem elementos articulados para constituir uma cena de enunciação ou, mais especificamente, uma cenografia que, como tal, não é um simples alicerce, uma maneira de transmitir “conteúdos”, mas o centro em torno do qual gira a enunciação? Tornar-se-ia, então, o gênero da parábola um legítimo componente do texto? A tentativa de respostas a essas e outras questões nortearão nossas reflexões.


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