POR UMA PRAGMÁTICA INFERENCIAL DO DIÁLOGO JORGE CAMPOS DA COSTA 1, DAISY BATISTA PAIL 1,2, CLÁUDIA STREY 1 1. PUCRS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2. ULBRA - Universidade Luterana do Brasil paildaisy@gmail.com |
O presente texto representa a defesa de uma Pragmática Inferencial como uma perspectiva teórica relevante para a descrição e explicação do objeto dialógico em sua expressão lingüística. Para isso, assumem-se alguns princípios como fundamentos da mencionada abordagem, da construção de tal objeto e da potencial aplicação ao entendimento do raciocínio prático em sua dimensão comunicativo-social, base da tomada de decisão. Um princípio teórico básico é o de que se assume a direção mais geral de um inferencialismo, na tradição griceana, de que deve haver uma distinção entre o significado da sentença e o significado do falante, bem como entre o dito e o inferido na constituição de um enunciado qualquer. (Grice, 1989). Na mesma linha, também se aceita a perspectiva de Sperber&Wilson(1986/1995/2004) de que dois princípios de relevância, um cognitivo e um comunicativo, sustentam o roteiro da racionalidade dialógica. Assume-se, também, como compatível dentro do quadro inferencial, a posição de Levinson, (2000), para o qual heurísticas podem cumprir um papel teórico de descrever e explicar raciocínios cotidianos generalizados. Quanto ao diálogo, defende-se a idéia de que ele pode ser desenhado como uma unidade mínima comunicativa, com bases inatas, cuja estrutura - forma e conteúdo - determinam a emergência da significação complexa, aquela que envolve contextos, intenções, inferências, etc. (Costa, 2012). A tomada de decisão, certamente, envolve muitos outros aspectos, mas o processo inferencial está no centro de tudo sem dúvida. Dialoga-se para conhecer, compartilhar, e decidir. Pensar é o modo de articular todo processo, inferir é o que leva à decisão, racionalmente justificada. (Legrenzi, Girotto, Johnson-Laird, 1993).
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