Em artigo recente, Couto (2012) propõe que os conceitos de “onomasiologia” e “semasiologia”, oriundos dos estudos filológicos iniciados no século XIX, sejam reavivados nos estudos linguísticos descritivos, particularmente no campo da recente área denominada “ecologia linguística”. Conforme aponta o autor, embora a perspectiva onomasiológica tenha sido mais frequentemente aplicada aos estudos do léxico, Baldinger (1966) já propunha a extensão dessa forma de análise aos estudos morfológicos e sintáticos. Castilho e Carratore (1967), ao tratarem do aspecto verbal em português, também demonstram a validade do método onomasiológico para os estudos sintáticos e atribuem a Boléo (1946) a primeira indicação de aplicação da perspectiva onomasiológica à sintaxe portuguesa. Couto (2012) propõe que análises semasiológicas e onomasiológicas sejam adotadas como complementares na abordagem dos fenômenos linguísticos e de seus diferentes usos, na medida em que “a onomasiologia visualiza os problemas sob o ângulo do que fala, daquele que deve escolher entre diferentes meios de expressão. A semasiologia focaliza os problemas sob o ângulo do que ouve, do interlocutor que deve determinar a significação da palavra que ele entende dentre todas as significações possíveis” (BALDINGER, 1966, p. 30). A partir de análise das preposições do português, Couto observa também que, na descrição desse e de outros fenômenos morfossintáticos, os estudos linguísticos contemporâneos têm privilegiado, sobretudo, a perspectiva semasiológica, concentrando-se, portanto, mais na perspectiva do que ouve do que na do que fala. Salvas algumas exceções, o mesmo pode ser dito, como se sabe, a respeito das gramáticas pedagógicas do português, especialmente no tocante a propostas para o ensino de sintaxe. Neste trabalho, com base na análise de construções com orações completivas, pretendo indicar aspectos tanto semasiológicos quanto onomasiológicos que caracterizam essas construções no português em uso, apontando, ao final, possíveis contribuições de análises desse tipo para abordagens pedagógicas no ensino de sintaxe do português.
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